A boca seca fazia sua garganta fechar.

O corpo estava dolorido, cansado, vazio.


Toques, cheiros, o suor escorrendo pelas costas, os gêmidos a meia luz que já não satisfaziam mais.


Era essêncial para sua vida. Letal para sua alma.

Sentou e chorou.


Até suas lágrimas secarem e seus olhos doerem...


Perdia-se dezenas de vezes...e em todas elas, reencontrava suas dores, seus medos e suas fraquezas mais inconfessáveis.


.....



Virou para o lado... seu corpo nu estendido... a respiração ofegante.


Não podia parar. Era tudo ou nada.

 
 


Cada um tem um jeito.

O jeito certo.

O jeito errado.

O estranho

O casual.

O elegante.

O engraçado.

O sem graça.


O triste.

O melancólico.

O saudosista.

O individualista

O que divide tudo.

O que não divide nada


O sonhador.

O pessimista.

O romântico.

O conquistador.

O egoísta.

O que tudo quer e nada pode...

O que tudo pode ... e nada merece...

O que pensa que pode salvar o mundo.


E o que não pensa. O salva.



Pessoas são diferentes...


Cada uma com suas manias, suas idéias, suas loucuras.


Mas todos somos iguais em uma coisa... queremos uma coisa.

Sermos amados. Compreendidos. Aceitos.


Não por nossas igualdades... mas por sermos quem somos do jeito que somos.


Isso sim, pode nos diferenciar uns dos outros.

Essa é a grande diferença.


 
 





O verão chegou, e com seu calor e sol vibrante trouxe paixões avassaladoras, noites quentes e novas emoções.
Veio então o outono e suas cores pálidas, tardes preguiçosas e um pôr-do-sol inesquecível.
No inverno, noites acaloradas por taças e mais taças de vinho rouge, o corpo fervia, segredos, conversas ao pé do ouvido, braços e pernas entrelaçadas.

Com a primavera a sensação do novo, carregada de expectativas e surpresas.
E então a descoberta. Ainda estava lá, intacto.

A roda do tempo, a mudança das estações, nada disso fazia sentido.
Pois tudo continuava ... igual.




E Ela.
Viveu. Amou. Sentiu. Chorou.

Teve os momentos que quis, e os viveu da maneira mais intensa, mais verdadeira e sincera como jamais havia vivido.


Assim como passam as estações. Passam as pessoas.
Passa a vida. Passam as tristezas.
O resto... são simplesmente ... momentos.

 
 



O que move um ser vivo de mesma espécie a abater outro, sem dó nem piedade?

Porque o amor é isso,um abate, que é feito e aceito por livre e expontânea vontade.

Falando do modo mais simplista, mais viceral.

Deixa-se morrer para viver novamente uma vida totalmente diferente da que se tinha quando ele,o Amor, não fazia parte dela.

O renascimento.


Exagerada? Um pouco.Gosto de dar um toque operístico a esse tema.
Até porque amor, crueldade, loucura, paixão, drama, lágrimas, desejo... tudo faz parte de um bom Libreto de Ópera.


O ato da caça por si só já é excitante, viciante.



Aí vem o "abate".O Grand Finale!


E quando menos esperamos estamos banhados em sangue, doando nossas vidas a outro(a), o verdadeiro sacrifício humano.





E então... o final derradeiro, nos comemos vivos, literalmente.



















 
 


Querendo ser mais do que já fui, talvez menos do que tenha sido.

Melhor do que pareço ser para uns, pior do que deveria ser para outros.
Uma pessoa mais sábia nas decisões, mais direta nas opções, mais concreta nas direções.
Mais certeira nas escolhas, mas sem medo de tropeços, de recomeços e de avessos.

O cru, o puro, o real, o concreto.
Meu ponto de partida. Minha linha de chegada.
(...) Me tire de casa está noite(...) é para lá que eu vou.

 
 



A casa estava vazia, os sons ao fundo traziam lembranças.


Tudo ali eram lembranças,as cadeiras,as paredes já gastas, os quadros desbotados.

Caminhando pelo corredor podia ouvir sua voz, era como se estivesse ali.


As risadas, os passos rápidos na escada de madeira antiga, a voz que parecia vinda de um sonho.

Na realidade, percebi que tudo não passou de um sonho, ou algo que eu mesma idealizei, aquela pessoa não existiu, aquela que eu confiava, que me fazia sentir segura, que me confiava seus segredos mais secretos,suas vontades mais íntimas, seus medos, suas inseguranças.

Essa pessoa foi inventada por mim, como um capítulo de um livro inacabado.

Isso mesmo, um livro inacabado.


Olhando hoje todo o cenário onde se passou essa história, relembrando tudo, vejo que teria sido melhor deixar inacabado, em vez de tentar sempre, incansáveis vezes, dar um final, ou até mesmo um recomeço.



Algumas histórias não merecem finais, merecem uma morte lenta,com algum sofrimento, claro, porque aí não teria graça não é?



Eu como uma boa capricorniana com ascendente em escorpião, não esqueço nunca de uma certa crueldade,aliada a uma dose teatral de sofrimento.


Sim, eu sofro, choro, fico alguns dias(tá, talvez mais)de luto, comendo chocolate e ouvindo músicas de fazerem uivar todos os cachorros da rua.

Mas passado o luto, eu volto mais "eu" do que nunca.


E realmente, as vezes peco pelas inúmeras tentativas,(esse lado mulherzinha indefesa e carente)que acabam um pouco com minha credibilidade.



Enfim. Hoje, dia do enterro, e acredito agora, definitivo.



Vestirei preto, tomarei um porre se for preciso, ouvirei algumas canções açucaradas, e naquele lugar deixarei algumas flores, para lembrar de que "um dia fui feliz" (?).


Mas claro, não esquecendo nunca.

"Que nada como um dia após o outro".(clichê né?)


Mas,e a vida não é isso, uma sucessão de clichês, histórias mal acabadas, capítulos mal escritos, mas adoravelmente deliciosos de se reler.
































 
 



Hoje gostaria de escrever sobre qualquer coisa.


Alguma coisa boba, engraçada, sem sentido.


Algo curioso, interessante, inteligente, espirituoso, curioso, misterioso, talvez até místico, quem sabe.


Algo que me deixasse leve, com vontade de rir alto, de abraçar alguém... de beijar alguém.


Algo que deixasse as pessoas imaginando coisas, que fizesse surgir aquele sorriso, aquele no canto da boca, que faz a imaginação voar alto.





Só queria me sentir assim. Feliz. Queria fazer alguém sentir-se assim.





Infelizmente, esse é um desejo que ultimamente tem sido difícil de concretizar.



Poucas pessoas tem o poder de despertar esse sentimento em mim, de tristeza.
Considero-me até uma pessoa afortunada, por que em alguns momentos mesmo não tendo motivos, pareço sempre (digo pareço) feliz.


Mas infelizmente uma, uma pessoa, sempre consegue.

 
 


- Onde esteve esse tempo todo?


- Por aí.


-Porque, fugindo de algo? Ou alguém?


- Estava com medo.


-De quê?


-Sofrer mais.


-E porque voltou?


- Mais uma tentativa.


- E perdeu o medo?


- Não. Mas a vontade de tentar e acertar é tão grande em mim, tão forte, tão viva, que mesmo caindo, mesmo chorando, mesmo achando que nada mais vale a pena, eu sempre volto.


- Mas isso não é um desgaste? Um sofrimento? Saber que "talvez" sofra, que chore, que se decepcione?


- Até pode ser, mas de que valeria a vida, que lembranças eu levaria? Algumas ruins, sim. Mas muitas maravilhosas, momentos meus que ninguém vai tirar.


- Isso para mim é impensável.


- Para mim. Não. E assim quero continuar, com meus meios estranhos, minhas fantasias loucas e insanas, minha emoção acima da razão, meus sonhos, meu jeito que muitas vezes é incompreendido, mas meu. Sem rodeios, sem meias palavras.



......



Olharam-se mais uma vez.

E ali despediram-se.


Foi a última vez que o viu.

 
 

 
 


Sobre a felicidade só tenho uma coisa a dizer.


Ela é escorregadia, é líquida, efêmera, etérea, vulnerável, sensível, quase surreal e muitas vezes irreal.


Digo isso porque quando sinto que estou feliz, quase nunca acredito e acaba que mesmo sabendo que está ali, pertinho de mim a deixo escapar.


Estou começando a acreditar que a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes.


É isso.... e não quero somente "momentos" em minha vida.




Tô cansada.


De expectativas, de tentativas, de sentir o que não quero, de sofrer pelo que não vale a pena.



Simplesmente é isso.


Cansei.

 
 




O corpo molhado pelo suor brilha na penumbra do quarto.

A respiração ofegante, o coração acelerado, a vontade quase primitiva.


Podia ficar assim, podia suportar tudo, a vontade, a ausência tão presente, o desejo que brotava enlouquecedor e que em alguns momentos tornava-se insuportável.


Mas não podia suportar não esquecer.

Esquecer o esquecível. Era esse seu desejo.

Era essa sua tarefa mais difícil.



 
 



As vezes é preciso sabe
r escolhe
r, entre estar na cruz....


...... e
pregar os pregos nela.

*autor desconhecido.