Orgulho e Preconceito.

Ontem a tarde vi um filme, já tinha visto mais de uma vez, uma das minhas histórias preferidas, tanto nas telas como na literatura.

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, uma linda história, retrato fiel da sociedade inglesa no séc.XIX, com Keira Knightley como a bela e impetuosa Elizabeth Bennet, e Matthew Macfadyen como o charmoso e orgulhoso Mr. Darcy.

Personagens maravilhosos, um filme brilhante e primoroso nos figurinos, na fotografia, que mostra belas locações no interior da Inglaterra, na trilha sonora hipnotizante, e lógico na bela narrativa de Jane Austen, que já foi parar nas telas com os não menos importantes Razão e Sensibilidade e Emma.

Jane Austen ficou muito famosa por descrever a vida da sociedade e o papel da mulher no séc. XIX na Inglaterra.

Creio que todo esse universo tenha sido retratado tão fielmente por sua ânsia de liberdade, Jane foi uma mulher solitária, nunca se casou, teve somente um noivo muito mais novo, mas que durou pouco tempo.

Quando se estabeleceu como romancista, isolou-se do mundo, vindo a falecer algum tempo depois de uma doença pouco conhecida na época.

Mas, voltando a falar do filme, muitas coisas mexem comigo nessa história, Elizabeth era uma mulher muito avançada para a época em que vivia, falava o que queria e quando queria, impetuosa, achava que as mulheres não deviam nunca se submeter ao homem, e que o casamento era muito mais que uma união de bens ou interesses, mas sim que um homem e uma mulher deveriam unir-se por amor e por suas afinidades.

Para a época, algo assustador.

Mas sabe, já li o livro algumas vezes, e o filme também, trazendo a história para nossa época, muita coisa continua igual.

Muitas pessoas casam-se por interesse, o status é algo importante, as aparências contam muito, e a maioria dos homens ainda prefere as mulheres digamos, mais maleáveis.

Maleável no sentido, de ser mais fácil de se dominar. Não vou em hipótese alguma generalizar, nem quero, claro que como tudo na vida, há exceções.

Onde estão as Elizabeth Bennet de nosso tempo? Que não aceitam as coisas com facilidade, que lutam por seus direitos, que brigam por sua felicidade e não tem medo de mostrar o que querem, o que sentem.

Muitas mulheres que conheço tem medo disso, pelo simples medo de ficarem sozinhas.

Foi exatamente isso que encantou o tão orgulhoso Mr. Darcy, a inteligência, a impetuosidade, a liberdade e o temperamento intempestivo de Elizabeth.

Isso assusta, sabemos que sim, eu sei que sim.

Mesmo sendo uma sociedade liberal, em que é muito bonito falar em liberdade para ambos os sexos, sabemos que as coisas não funcionam bem assim.

Às vezes tenho a impressão que ainda vivemos no séc. XIX, que devemos cuidar a maneira de falar, de andar, de vestir, estamos constantemente sendo analisadas, colocadas a prova, testadas diariamente.

No post anterior, que não é meu, Tati B. uma guria muito legal e que escreve muito bem, fala disso, que ela ta cansada de ser o homem da relação, de sempre procurar o cara, de ligar, de fazer, de ir atrás, e em troca disso ganha o que? Fica sozinha.

Porque os caras se assustam, e correm dela. E não é que é verdade?

As mulheres que peitam ser os “homens” da relação, correm esse risco. Então ela faz o inverso, diz que vai ser outra, que não vai ligar, que não vai transar com ele no primeiro encontro, porque ai sim, ele vai se apaixonar por ela. Na real, se lermos até o final vamos ver que ela não acredita nisso, porque se ele não cair nesse teatro todo de menina moça, ai sim ele vai valer a pena mesmo.

Tati B. é uma Elizabeth Bennet do nosso tempo, não aceita as coisas mesmo estando cansada disso. Quer um homem que goste dela, do jeito dela, das neuroses dela, e que converse com ela de igual para igual.

Na boa todas queremos isso, mas algumas sufocam esse desejo para não ficarem sós.

Eu já passei por algumas situações parecidas e já sofri algumas perdas, e sei que o Orgulho e o Preconceito não levam a lugar nenhum, só ao rancor e a amargura.

Tenho consciência de que é mais difícil e até doloroso ser assim, mas não mudo meu jeito de ser para agradar ninguém, sempre tento ouvir todos os lados, e todas as versões.

Na verdade sei que existem muitos Mr. Darcy por ai, dispostos a conhecer as Elizabeth Bennet que existem dentro de nós.

Basta não desistir de achar. Do resto, a vida se encarrega de cuidar...

 
 
 
 

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