Quando eu era criança queria ser pintora, artista plástica. Comecei a desenhar com 9 anos, tudo que aparecia na minha frente eu copiava, de ilustrações de livros infantis a figurinhas de álbuns, e tudo mais que caia na minhas mãos.
Diziam que eu tinha talento, eu não acreditava, tentava criar e não conseguia, ai copiava e mudava algumas coisas para tentar colocar no papel o que eu sentia.
Era dificil pra mim, mas eu não desistia, tudo que tivesse relação com arte, pintura, escultura, eu lia, dezenas de livros, achava fascinante a vida daqueles que tinham nascido com o dom de expressar seus sentimentos através de traços e pinceladas, praticamente tocados por Deus, pensava eu, tinham vidas conturbadas, e mesmo sendo incompreendidos eles deixavam marcas, como todos os grandes gênios.
Minha mãe dizia que eu era diferente, passava o dia lendo, devorava qualquer coisa que caia nas minhas mãos, a biblioteca era minha segunda casa, quando não estava na escola ia à museus, ao cinema sozinha, coisa que os adolescentes não faziam, escutava música clássica, era o oposto das minhas amigas, e muitas não entendiam, tinha muitas amizades, mas quase nenhuma compartilhava dos meus gostos, eu achava normal, porque pensava que nem todos podem ser entendidos sempre, todos possuímos diferenças, é isso que faz a vida tão maravilhosa.
Com 14 anos ganhei minhas primeiras tintas e pincéis, eu tentava com todo o meu coração mas parecia que não saia do lugar, me matriculei em um curso, mas não gostava do meu traço, era amador.
Bom, vai ver não nasci para isso, derrepente sou uma mera espectadora, que somente aprecia a arte, sem poder tocá-la, eu pensava.
Minha mãe me incentivava, me deu um cavalete, novas tintas, me levou nos lugares que eu deveria mostrar meus desenhos, veio a resposta, ainda muito primário.
Então desisti, larguei as tintas e os pincéis, o cavalete tá lá ainda, a espera de algum chamado.
Não consigo me lembrar direito como isso aconteceu, eu era outra Renata nessa época, tinha sonhos e aspirações tão diferentes de hoje, e não sei em que momento eu sufoquei isso e nem porque.
Hoje pensando me dei conta o quão diferente estou, onde foram parar meus sonhos de criança, e porque eu os esqueci.
Me formei, estudei, mas o que eu realmente gostava de fazer eu deixei de lado, para crescer ser adulta.
E porque?
Tenho vontade de retomar tudo isso, mas sendo sincera não sei por onde começar, é como se eu tivesse um furacão dentro de mim, pronto pra bagunçar tudo, prestes a sair, só esperando o momento certo.
Já fui tachada de várias coisas, sei que não sou o tipo convencional, e já me incomodei mais com isso, engraçado que na minha infância não me importava nada em ser assim, porque me inspirava nos grandes escritores e artistas que tinham sido escurraçados, maltratados, incompreendidos e até chamados de loucos, e mesmo assim viveram seus sonhos sem medo, eles simplesmente os seguiam, por instinto, como algo natural.
Porque fazemos isso, porque deixamos de ser o que realmente somos, de fazer do que gostamos em detrimento de coisas ou pessoas.
Sempre me achei uma vitoriosa por ir atrás de tudo, por não desistir, e hoje, especialmente hoje, achei essa ferida na minha vida.
Algo que estava guardado dentro de mim, e que eu não queria ver, algo que deixei pra trás, junto com minhas tintas e pincéis.
Se há tempo para retomar tudo? Claro que há ... basta querer, e ter coragem pra isso, acredito que eu tenha, só estou esperando algo que ainda que não sei bem o que é, mas no momento certo acredito que saberei.

 
 

Dia chuvoso, cinzento, típico de inverno.
Vinha caminhando pela Av. Oswaldo Aranha hoje pela manha, a caminho do trabalho, desviando das poças de água, entre um pensamento e outro, observava as pessoas apressadas, cabisbaixas, enrroladas em seus casacos de inverno e mantas coloridas.
Eu tenho uma mania sabe, olho para as pessoas na rua, e fico tentando imaginar o que se passa na vida delas, tipo, porque sorri sozinha, porque está séria, que música ouve nos fones, será que está triste? Feliz?
Está amando, pensando no trabalho ou nos filhos que queria ter, em algum amor não correspondido ou alguma mágoa do passado?
Tenho feito isso seguidamente, saio por ai sem destino, entro em um café, uma livraria, sento em algum banco de praça, e fico ali, observando e pensando.
Poderia escrever um livro com tantas coisas que imagino.
Interessante é as pessoas apressadas, como se o mundo fosse acabar em um dia.
E o pior, mesmo se fosse acabar, a maioria dessas pessoas não fez tudo aquilo que realmente queria, por medo, orgulho, rancor, fraqueza. E será que vale a pena?
Enfim, a tarde vai passando, o dia tá chegando ao fim e mais uma semana se foi.
A vida continua, as coisas estão acontecendo, e eu, eu vou continuar a observar as pessoas na rua, e imaginar histórias que só eu conheço, com alguns finais felizes, outros trágicos, outros engraçados,talvez tristes, mas meus finais.
Porque eu escrevo os meus finais.
Pode parecer meio doido isso, e até é, porque não gosto de pensar que sou totalmente normal não, deixo isso para os fracos e covardes, que tem medo de tudo, e preferem a tranqüilidade de uma vida previsível e sem graça.
Nem sempre tudo é perfeito quando escolhemos viver assim, mas sei que não passo desapercebida, eu não passo pela vida... a vida...essa sim, passa por mim, e em todos os sentidos.

 
 

Delicia de música... de voz...

Blindfold por Morcheeba.


 
 

Dia incomum hoje.



Engraçado ainda me surpreender, nem devia mais.
Tava lendo em algum blog por ai, que a maioria dos posts começam com, "Hoje pensei... O dia hoje... Tava pensando... "
Até ja me perguntaram se tudo que eu escrevo são experiências próprias.
Todas são.
E se fico alguns dias sem escrever, pode ter certeza que algo ta se passando.
Sou totalmente influenciada pelos fatos, se to muito triste, ou magoada, ou cansada, ou estressada, ou irritada... muitos "adas" né, pode ter certeza que não escrevo.
Mas hoje, especialmente hoje, o dia foi estranho.
Queria discorrer aqui sobre tudo, mas não vou.
Também cansei de tentar provar coisas que não preciso.

É... simples como a vida.
A frase que mais ouvi nos últimos dias.

 
 

Honestidade.

Tem gente que ainda não sabe o significado dessa palavra.



E o frio ta pegando....

 
 

Dia dos Namorados, ou Noite dos Solteiros?

É, mais uma data escolhida a dedo pelo comércio pra vender mais, e pra deixar com os nervos a flor da pele quem não tem um.
Afff.
Bom... sem rodeios... se você hoje, assim como eu, não tem um namorado, caso, ficante, ou coisa que o valha...
Saia pra rua, convide seus amigos solteiros (se você não tiver um, aí a coisa complica) e vá pra rua, nem que seja pra tomar uma água.
Pegue um cinema, vá caminhar sozinho,tomar um café, comprar um livro, de uma olhada por tudo.
Vá que numa dessas você esbarra com alguém interessante?hã?
Senão, tire um filme, tome um vinho em casa mesmo. Curta igual...
Bom, eu vou pra rua, pra Medina. E seja o que Deus quiser!

Como disse uma amiga: " O dia é dos namorados... mas a noite... essa é dos solteiros!"

 
 

Refletindo.

Mais uma do poeta Edson Marques.

Incrível como faz sentido pra mim.
Como ele diz: " Só o que esta morto não muda."



Mude
Edson Marques


Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...Leia outros livros, viva outros romances.
Ame a novidade.Durma mais tarde.Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.Corrija a postura.
Coma um pouco menos,Escolha comidas diferentes,Novos temperos, novas cores, Novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, o novo prazer, o novo amor,a nova vida.
Tente.Busque novos amigos tente novos amores.Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,tome outro tipo de bebida compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...Outra marca de sabonete, outro creme dental...Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue fora os velhos relógios, despertadores.Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabelereiros,outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno,mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,invente-as.
Seja criativo.E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.Troque novamente.
Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento,o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco,sem o qual a vida não vale a pena!!!

 
 

Depois dos 30.


Lendo o texto da Tati....e agora refletindo mais sobre o tema, é mesmo, eu como ela pensei que aos 30 muita coisa seria diferente, pensei que já teria feito tudo, a primeira lógico, era que eu já estaria casada, amasiada, juntada, sei lá, mas que já teria minha cara metade. Pensei que já teria um filho, uma casa, que não precisaria me preocupar com grana, essas coisas triviais de "adulto", sim, porque quando eu tinha 19 anos, pensava que aos 30 eu já seria grande coisa.
Pior, muita coisa continua igual, (meu manequim por exemplo, ainda 36 graças ao bom Deus),algumas mudaram, eu me formei, tenho um emprego razoável, apesar de não fazer ainda algo que eu realmente goste, já conheci alguns lugares, já conheci muita gente interessante, outras nem tanto, mas e o resto? Ainda faltam muitas coisas.
Puts, lendo o texto dela me dei conta que uma delas é que também não tenho mais saco pra essas saídas pra literalmente caçar, tá certo, nem sempre é com essa intenção, as vezes é pra relaxar jogar conversa fora, rir um poco.
Bom, mas quem to querendo enganar? A mim? Deve ser, eu as vezes me forço a sair mesmo, senão corro o risco de ficar solteira, uma velhota solteira, rodeada de cachorros, sozinha num ap.
Não! Isso não! Até gosto dos bichinhos, mas ficar igual a Brigitte Bardot, nem morta!!
Então saio, faço a minha social, caras e bocas que não são minhas, o modelito de arrasar e vamo lá!
Ta cheio de gurias por ai, aqui no Sul então, a concorrência é acirrada, uma mais alisada que a outra, mais maquiada que a outra,bronzeadas em pleno Inverno, todas lindas, parece que saíram de revistas e editoriais de moda. E pior, dispostas a batalha, porque na noite o que rola é quase isso.Elas de um lado, eles de outro, eles dizendo que "nós" escolhemos, nós dizendo que "eles" pegam a que quiserem, no final, todos sozinhos.
The game of love!!!
Eu já tive uma fase de "passar o rodo" como disse a Tati, e não me arrependo, já fiz loucuras que até o Diabo arrepiaria os cabelos, mas agora não, quero algo mais tranqüilo, tipo filme Europeu sabe.
Nem sei como, parece que o mundo inteiro resolveu sair a caça, todos os tipos de personagens andam por ai, e há táticas para o combate, é, táticas, não falar isso, não repetir aquilo, não ligar, fazer que não tá nem ai, fingir que não se importa... Aiiiii... muita coisa pra decorar.
Eu só queria alguém que gostasse de cinema, de filmes europeus, (aqueles bem complicados), de frio, de vinho tinto, de ficar em casa, de cachorros, de futebol, de tomar uma sopa, de música, de tango, de dançar, que gostasse de as vezes fazer nada, e ficar em silêncio, de falar bastante, quase tanto quanto eu, de serra, de livros, de viajar, de cozinhar, (porque eu não gosto muito), de música dos anos 80, de chopp gelado, de buteco, de restaurante bem pequeno, daqueles que só cabem umas poucas pessoas, de comida japonesa, de feijoada, de sair com os amigos, e que principalmente, goste de mim.
Do meu jeito meio atrapalhado, da minha mania de dizer tudo que me vem na cabeça, do meu ciúme (sim eu tenho) , do meu jeito 8 ou 80, das minhas manias.
Pedi muito né? Quem não queria tudo isso.
Na boa, não sei se quero mesmo ficar me acotovelando em festas que as vezes nem quero ir, pra ver se arrumo alguém, também não acredito mais no destino, porque ele já me levou pra lugares que nem gosto de lembrar.
A gente é que faz o nosso destino, a nossa vida, e o caminho que trilhamos com certeza é o que escolhemos. Nada dessa besteira de tudo tá escrito.
Nisso não acredito mais.
Enfim, pensei que muita coisa mudaria aos 30, mas to vendo que não, então, vou continuar saindo de vez em quando, curtindo umas festinhas aqui, outras ali, e quem sabe numa dessas não aparece alguém.
Vai saber.

A vida é tão doida mesmo.

 
 

Bom, eu ja passei dos 30. Tá, não muito, 33 pra ser bem sincera.
Mas... ela tem razão. Faço minhas as palavras da Tati.


Vinte e nove

By Tati B.


Todo mundo é um pouco torto, me falou um amigo quando viu que eu estava certa: meu umbigo deveria ser mesmo mais para a direita. O que me incomoda agora, que eu vou fazer trinta anos, não é exatamente o fato de eu ser um pouco torta como todo mundo, mas o fato de eu ter descoberto que era tudo mentira. Era mentira que a vida se resolve aos trinta. Com vinte anos a gente acha que tudo vai se resolver aos trinta: nosso corpo, nossa auto-estima, nossa conta bancaria, nosso peito vazio, nossa vida amorosa.
Mas eu continuo torta e se bobear a coisa só piorou.
Pior: minha ficha caiu e tenho certeza que não estarei menos torta aos quarenta. Não existe a grande e absoluta transformação. E aos trinta, em plena grande e absoluta transformação, você descobre isso. Todo mundo é um pouco torto, penso enquanto tomo banho e decido não ir nem a pau até a Lapa.
Ando mais do que meio torta, cheia de dor nos ombros e prefiro mais é curtir a novela esticada no meu sofá. O que eu vou fazer lá? Me certificar pela milésima vez que odeio multidão e odeio esse clima de paquera “olá rapazes, vim até aqui para vocês compararem a minha bunda com aquela idiota marombada de dezenove e me dar nota quatro”. Tô fora.
Não li esse monte de livros e não repensei zilhões de vezes a minha existência para ser reduzida a isso.
Ser comparada à mulher melancia. Aí uma voz chata pra cacete grita dentro de mim: você vai sim, sua velhota encalhada. Que ficar esparramada no sofá que nada. Novela? Enquanto o mundo faz sexo você vai assistir novela? Vou. Vou sim. Porque to me lixando pro mundo que faz sexo. 90% desse mundo têm ejaculação precoce e os outros 10% não vão te ligar no dia seguinte.
Vou ver novela. Tá decidido. Uma preguiça em arrumar homem. Novela pelo menos avisa “é a última semana!”. Homem some no auge da primeira.
Aí eu saio do banho, super decidida a não ir à Lapa e...é, eu sofro em colocar um pijama em plenas oito horas da noite. Cedo, né? Como é que eu vou casar desse jeito? Não vou.
Esse papo de que homem bom você conhece de dia. Sei não. Quem é que vai me abordar no supermercado e dizer “Chuchu? Que legal! Eu também adoro eles!”. Não rola. E no trabalho? Não rola. Na época que eu era publicitária passei o rodo mas agora, escritora, quem é que eu vou pegar se trabalho sozinha em casa? E tem outra também: passar o rodo combina com vinte anos.
Com trinta você começa a chorar quando vê mulher grávida. Chorar em casamento. E, principalmente, chorar porque ainda não casou e nem está grávida. Ok. Então eu vou. Vai que. Vai que hoje conheço alguém legal.
Tudo bem que nos últimos quinze anos de balada (comecei com catorze) nunca conheci. E olha que na adolescência qualquer coisa não gorda e cheirosa tava valendo. Mas vai que. Não? Não! Não, Tati. Pensa bem. Olha sua caminha lá. Te esperando. Seus livros. O creminho de fazer massagem nos pés. Pra que voltar fedendo cigarro? Pra que ver gente que se odeia fazendo uma coisa que só as pessoas que se amam muito deveriam fazer juntas: tentar ser feliz. Um bando de gente perdida, saindo pelas ruas feito baratas no calor. Em busca de alguma coisa. Mas que coisa, gente? Marido é que não é. Ou é? O que mais me dói é lembrar que eu tinha certeza que já estaria fora dessa vida com trinta anos. Com trinta anos? Eu pensava. Já vou estar ao lado do amor da minha vida. Pintando o quarto de salmão, que acalma o bebê. Rica. Bem resolvida. Cozinhando. Sem medo que minha mãe morra. Com a voz firme. E a bunda também. Com trinta anos eu vou ter um carrão. E uma casa fashion com vista para árvores. E vou ajudar crianças carentes. E vou ter cara, roupas e postura de mulher. Afinal, são trinta anos. Nada disso. Nada. Eu ainda me pego, vez ou outra, fazendo a combinação bizarramente juvenil de blusinha decotada com jeans apertado. Eu não sei onde é a minha casa. Porque eu tenho um ap alugado em São Paulo, que é onde eu moro, eu tenho um ap alugado no Rio, que é onde eu trabalho e eu tenho um ap que não é alugado, mas é da minha mãe. Eu não sei ligar uma máquina de lavar sem ligar antes para a minha mãe. Eu não sei cozinhar kinua sem antes ligar para a minha mãe. E, pela quantidade de vezes que eu falei na minha mãe só nesse parágrafo, já deu pra perceber que ainda faço terapia de medo que ela morra. O que um ser com idade mental de doze anos vai fazer num mundo sem mãe? Mas eu não vou à Lapa. Tá decidido. Eu não bebo, eu não fumo, eu não faço sexo com idiotas (decidi isso faz pouco tempo, depois de praticamente ter ganhado carteirinha do clube “eu dou para idiotas”) e eu tenho pavor de peles desconhecidas esbarrando em mim. Pavor. Eu não vou. Bebida pra mim é vinho, bem acompanhada. Restaurante chique.
Ar condicionado. Boa música. Nesse quesito pareço alguém que vai fazer trinta anos. Lapa é para quem tem vinte. Vinho a dois para quem tem trinta. Mas esse é justamente o problema. Entendem? Eu não tenho, nesse momento, ninguém para dividir comigo as maravilhas de se ter trinta.
Então, acabo me perguntando: será que eu não deveria ir à Lapa?

 
 


Da janela da minha sala vejo o vento.
Frio la fora, chove, o dia ta cinza e bucólico.
Um arrepio percorre minha espinha, se acreditasse em presentimentos, diria que tive um.
Há dias tenho essa sensação estranha, parece que ta me perseguindo, e não sei explicar o que é.
Penso em algumas pessoas, e sinto uma pontinha de tristeza, nem sei porque, mas sinto.
E tudo parece que foi a muito tempo, como um sonho.
Um sonho bom...
Um dia vou lembrar disso e espero rir. Ou até sentir saudade, o que é o mais provável.

Não sei, só sei que a sensação voltou, o arrepio... também.



 
 

Cineminha...



Sexta – feira, findi chegando e hoje vou dar duas dicas de cinema.
Quem me conhece sabe que a sétima arte é uma das minhas paixões, algo quase sagrado.
Sentar em uma sala de cinema para mim é como sair do corpo, viajar mesmo, por isso, determinados filmes até prefiro assistir sozinha.
Bom, meu gosto assim como eu é bastante eclético, vejo um pouco de tudo, o único estilo que realmente não me leva à uma sala de exibição é o terror, me nego, mas de resto se eu me interessar eu vou, até porque, mesmo lendo as críticas prefiro ter uma opinião.
Enfim, voltando as dicas, hoje estréia nos cinemas o tão aguardado "Sex and the City – O filme", mania mundial, virou longa metragem depois do estrondoso sucesso do seriado de mesmo nome exibido pela tv a cabo.
Bom como acho que todo mundo já sabe da história nem vou me estender muito, as peripécias amorosas de quatro amigas solteiras, na faixa dos 30 anos que vivem em Nova York são o tema central, seus amores, seus dilemas emocionais, tudo isso aliado a figurinos dignos de um editorial da Revista Vogue, esse aliás, o grande chamariz tanto do seriado, como do longa.

No elenco as mesmas atrizes da televisão, e Sarah Jessica Parker linda e charmosa no papel da escritora Carrie, que virou ícone de estilo e elegância, e que, além de protagonista também é produtora do filme.
Na verdade tem charme, claro!

Eu adorava ver Carrie em seus lindos modelitos, todos assinados por grandes estilistas, e suas amigas sentadas em um charmoso café da 5º Avenida, discutindo trabalho, relacionamentos, amor e sexo é lógico!
Filme para diversão.
Eu vou assistir hoje, então depois conto para vocês se ela casa ou não com Mr. Big...
seu eterno namorado. (Brincadeira, esse é o grande mistério do filme!)

E a segunda dica, totalmente diferente da primeira, mas na minha opinião, mais importante, principalmente para os que assim como eu, são fâs de música dos anos 80, é "Control", filme que retrata a vida do vocalista da Banda inglesa Joy Division, Ian Curtis.
Também uma estréia, mas claro não com o mesmo glamour da anterior, eu já assisti, até porque no exterior já foi lançado em DVD, mas no Brasil pra váriar, sempre chega mais tarde.
Aqui em Porto Alegre está em apenas uma sala, o que é uma pena.
Um filme denso e forte, Ian teve uma vida curta e conturbada, tinha epilepsia, e não sabia lidar com isso, sua morte foi trágica e prematura com apenas 23 anos, quando cometeu suicídio, um dia antes do início da primeira turnê da banda pelos EUA.
O filme foi baseado no livro "Touching From a Distance", escrito pela viúva de Ian, Deborah Curtis, é um filme simples, todo em PB, e sem grandes produções mas muito legal e interessante, principalmente para os fâs da banda.
San Riley faz o papel de Ian Curtis e Samantha Morton, como sua esposa Deborah, a direção é do cineasta holandês Anton Corbijn, fotógrafo e conhecido do grupo.
Vale a ida ao cinema.


Bom findi e filme pra todos.

 
 

" Não trate como prioridade quem te trata como opção."


Boa frase.

 
 


Um tempinho atrás eu acreditei em duendes, fadas e gnomos.

Aí, passei a acreditar nas pessoas.





Devia ter continuado acreditando nos gnomos, fadas e duendes.

 
 

Dia estranho hoje.
Tentando entender essa sensação de Dejavú que ta me perseguindo.