Me pergunto todos os dias, porque cargas d’água o estúpido do ser humano só de da conta das coisas que fez ou das que deixou de fazer, somente depois de tudo já ter virado uma merda completa (desculpem pelo termo), mas é verdade.
Ontem, terça-feira a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre fez seu último Concerto naquele que foi sua sede por 24 anos, o Teatro da Av. Independência, antigo Teatro Leopoldina, atual-ex Teatro da OSPA.
Por 8 anos a OSPA tem sido quase que minha segunda casa, comecei como estagiária, me formei, inclusive a referida Instituição foi o tema da minha monografia, e ainda estou aqui, no terceiro governo, (porque pra quem não sabe a OSPA é uma Fundação mantida pelo Governo Estado do RGS) e como todos que trabalham aqui tentando manter tudo isso de pé.
Essa Orquestra que se mantém na ativa por ininterruptos 58 anos, por descaso, burocracia, falta de vontade , ou sei lá o que, ainda não tem seu Teatro próprio, o que é uma lástima para a população, e para todos que como eu tentam mantê-la viva.
Aqui fiz muitos amigos, pessoas que sei vão permanecer muito tempo comigo, e aprendi muita coisa também, nos Concertos, com os músicos, nas viagens, nos ensaios, um mundo novo que me foi apresentado, e que agora está passando por uma crise.
Então, comecei o texto falando do que as pessoas fazem ou deixam de fazer, porque especialmente ontem, a casa estava lotada, nossa Orquestra fez um Concerto memorável, e eu digo isso, porque executou, sob a batuta do nosso Diretor Artístico Mto.Isaac Karabtchevsky, uma das peças mais difíceis que uma Orquestra pode apresentar, se não a mais difícil, palavras proferidas pelo próprio Maestro, o Poema Sinfônico "Vida de Herói" de R. Strauss.
Foram aplaudidos de pé por quase 10 min, e eu confesso que em várias partes da peça, me emocionei, pela garra e maestria dos músicos que tocaram divinamente, tanto nos solos, como no conjunto, e nesses 8 anos em que assisti a diversas apresentações digo com certeza, que foi uma das mais brilhantes. Perfeito!
Aí, chego ao ponto crucial de toda a minha explanação, porque esperamos chegar ao limite das situações para dar valor ao que possuímos, e as vezes chegamos ao ponto de perder tudo, para então enxergar o quão importante era aquilo para nós?
A OSPA sempre esteve ali, durante todos esses anos, realizando Concertos semanais em Porto Alegre, pelo Interior, lutando para se manter na ativa, e manter a qualidade de seus músicos, e havia Concertos em que não chegávamos a 300 espectadores, para um Teatro com capacidade para 1240.
E ontem, casa lotada! Segundo as palavras do meu amigo e Inspetor da Orquestra Fábio, 1300 pessoas compareceram ao Teatro, muitos jornalistas, figuras importantes, políticos, uma infinidade de fotógrafos, todos sensibilizados com a situação, tudo bem, era pra ser assim, mas precisava chegar onde chegou?
Estamos na luta ainda, os Concertos irão continuar semanalmente, no Teatro do Bourbon Country, no Interior do Estado, e em Igrejas e espaços culturais da Capital, e esperamos, é claro, que as questões burocráticas para o inicio das obras do nosso Teatro, se resolvam o mais rapidamente possível.
Nada ainda está definido, eu espero que depois de ontem, as autoridades dêem o devido valor, e simplesmente não fiquem só nos aplausos, e nos discursos acalorados de despedida, enobrecendo os feitos de uma Orquestra que à tanto tempo emociona as platéias do nosso Estado, e que já foi considerada uma das melhores do Brasil.

 
 
 
 

Postar um comentário 3 comentários:

Fábio disse...

Bonito, e real.
Mas dando uma ar menos sombrio, notou o "papagaio de pirata" alí atrás? hehehe
Beijos

2 de julho de 2008 15:52

Renata Braga disse...

Onde etá Wolly? Ops... onde está o Fábio?

hehehe

2 de julho de 2008 16:01

Fábio disse...

hehehe

2 de julho de 2008 16:04

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