A pele delicadamente branca, agora oscilava entre o rosado e o rubro intenso.
Caminhava à algum tempo, seus pés estavam cansados, mas tinha um propósito, não iria desistir.
Olhava tudo ao seu redor como se fosse a primeira vez, mas sabia já havia passado por ali antes.
O céu estava claro, uma brisa leve soprava em seu rosto, uma deliciosa sensação de liberdade.
Tinha todo o tempo do mundo, e isso era suficiente
Seu coração batia livre, acelerado, feliz...

Teve sua segunda chance, precisou de um motivo, uma oportunidade, e conseguiu.
Parou na porta, ansiosa como uma criança, suas mãos suavam, seu corpo todo tremia.
Tudo que a faria feliz, estava ali, atrás daquela porta.
Hesitante, bateu.
Ouviu os passos que se movimentavam ligeiros dentro da casa.
Como em um filme, toda sua vida passou diante de seus olhos, sorriu, pensando que tudo que havia vivido, foi a espera daquele momento.
Segundos que pareceram uma eternidade.
A porta se abriu. Os olhos se encontraram.
Um sorriso doce e encantador a recebeu.

O mundo podia parar, nada mais importava, sua vida estava completa.

E agora, ela estava completa.

 
 


Hoje ele vai falar por mim:


"Meu destino é viver na arena, dançando entre leões famintos.

É um perigo, eu sei.

Porém, nos intervalos das lutas, sorrindo, tomo sempre vinho rouge no gargalo colorido das garrafas de cristal. Talvez um dia eu acabe até morrendo na arena, quem sabe.

Acontece que, antes de morrer na arena, meus amigos, eu vivo na arena — e isso faz toda a diferença.


Prefiro ser o gladiador ensangüentado a ser um boi feliz.


Meu coração precisa de sangue, não de capim."


Edson Marques


 
 



Os olhos perdidos em um ponto qualquer. Alguma coisa estava fora do lugar.
Mas não sabia dizer o que era.
As cores, os cheiros, os sons, as vozes... tudo era abstrato.
Hoje, especialmente hoje, poderia ter escolhido um lugar qualquer para ficar, atravessar ruas, cruzar oceanos, atalhar caminhos, qualquer lugar, seria somente um lugar.
Não se importava.
Nem as conversas, nem as pessoas, nem os sorrisos forçados,(que davam enjôo) nem os elogios sem conteúdo. Nada.


Prefiria sempre, a insegurança do incerto, do que a certeza do seguro.



 
 


O sol nasce lindo e vibrante no céu.

A brisa fresca, desperta sentimentos que enrubesço só de pensar.

Meu corpo todo vibra, feliz, vivo e ansioso por novas descobertas.

Sinto-me como uma criança, que está descobrindo um novo universo, e que tem todo o tempo do mundo para fazê-lo.


Não preciso de relógio, não preciso de regras, não preciso ter PRESSA.

Basta-me um coração cheio de amor, desejo e uma força, que sinto, sempre foi maior que eu, e sempre esteve lá, algumas vezes adormecida, outras, quietinha, somente esperando o momento certo para surgir.


O céu é meu guia, as estrelas minhas conselheiras, e minha mais fiél companheira ... sou eu mesma.

 
 


Como prender um coração que é livre, que sente e faz o que quer.
Sem amarras, sem cobranças, sem mentiras ou verdades inventadas.
Que ri, chora, sofre, se emociona e bate de acordo com sua vontade.
Ninguém aprisiona um coração assim.

Ele precisa de algo que o faça bater forte, vigoroso, pulsante como a vida que lhe faz vibrar.

E se encontra alguém que o faça feliz, como recompensa lhe oferta tudo que de mais precioso nele existe...

O amor puro e verdadeiro.

Sem preconceitos, ou regras... somente amor... paixão, e a intensidade de algo que queima, como brasa.

Com certeza cada um sabe seus limites, e o que faz seu corpo tremer e seu coração disparar...causando aquela sensação de bem estar, e felicidade somente pelo fato de estar vivo.

Isso é amor...

Se vem acompanhado de angústia, dor, ansiedade, ciúme.... com certeza não é.
E se você precisa desses sentimentos para viver, ou ainda, vive com esse sentimento, por escolha ou comodismo, reveja seus conceitos e sua vida, com certeza vai achar algo errado...

"Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente."


William Shakespeare







 
 


Pensamentos.


O som da flauta ao longe, mistura-se com o ruído dos carros que passam apressados.

A casa vazia.

O cheiro de chuva me remete ao passado, uma nostalgia gostosa, com cheirinho de infância.

Uma conversa rápida, despedidas, e volto aos meus pensamentos.

Sol e chuva. Uma brisa fresca encontra meu rosto. E sinto saudade de algo que não sei bem o que é.

A flauta toma seu lugar em meio aos sons perdidos, algo triste, melancólico.


A manhã passa.

A tarde vem chegando... e com ela novos sons, novas conversas, velhas despedidas e novos pensamentos.


 
 


Não sabia mais o que pensar, era como se uma névoa encobrisse sua alma.

Na escuridão do quarto, podia sentir o peso do silêncio, que só era quebrado pelo vento nas árvores.

Acordou sobressaltada diversas vezes, seu corpo estava banhado de suor, e mesmo tentando, não conseguia se desvencilhar daquele sonho.

Ouvia vozes no quarto, sentia a presença que a rondava, noite após noite .

Tentava em vão dormir, mas ao fechar os olhos, lá estava ele, sempre a espreita, perturbador, incógnito sobre a penunbra que encobria seu rosto.

Naquela noite, ele a chamou pelo nome, e com o coração batendo descompassado, levantou-se e esperou.

A voz rouca e grave, chamava por ela, ansiava por ela, e mesmo sentindo um medo que jamais sentira antes, ela o seguiu.

Seu hálito era quente, suas mãos fortes e ao mesmo tempo gentis, acariciava seu corpo de uma maneira que nenhum homem chamais fizera.

Percorreu lugares que ninguém ousaria, explorou cada recanto dela, como se fosse um peregrino em busca da terra prometida.

Nada era mais segredo, e entregou-se totalmente aquele desconhecido, que nem em seus sonhos mais secretos imaginou que pudesse encontrar, seu corpo era dele, sua alma lhe pertencia, e ele agora a possuia inteira sem pudores ou vergonha.

Seus beijos eram fortes, sedentos, nada sabia sobre ele, não conhecia seu rosto, seu nome, sua história ou sua origem, mas conhecia cada curva de seu corpo, e isso lhe bastava.

Exausta, deixou-se levar pelo sono, e pelo êxtase que havia experimentado. Adormeceu em seus braços, sentindo-se feliz e intrigada, ainda com seu cheiro e gosto na boca.


Acordou assustada, sozinha na cama, o sol estava despontando no céu, e deixava passar seus primeiros raios, timidamente pelas frestas da janela.

Olhou para o lado e não viu ninguém, nenhum rastro daquela que tinha sido uma noite quase etérea, somente um perfume adocicado no ar, não sabia ao certo se tinha sido um sonho... ou fruto de sua imaginação...

Mas ainda podia senti-lo dentro dela, e uma dormência entre suas pernas a fez lembrar disso...
Se o veria de novo, não sabia, quando a noite chegasse estaria lá...
E por ele esperaria, sempre...

 
 


Sentada em sua cadeira, ouvia as vozes que vinham da sala, o som abafado da tv era hipnótico, não prestava atenção no que estava passando, só ficava ali, sentada.
Vendo a vida passar.

A muito desistira de tentar entender o porque das coisas, e sentia uma certa tranquilidade estranha ao pensar nisso.

As vozes em sua cabeça eram cada vez mais freqüentes, elas insistiam em lhe dizer coisas que não queria ouvir, mas sabia, eram as certas.

Parecia que o tempo escorria por suas mãos, como areia em uma ampulheta, e isso a assustava.

De onde vinha a força, a força para continuar. Não sabia.

A vida brotava de seus poros, e tinha consciência que nada nem ninguém, poderia mudar isso.

Não tinha medo do incerto, do novo, de tentar e falhar.
Isso não.

Era muito, para tão pouco. E o tão pouco ja não era mais suficiente.

 
 

O Beijo.

Caminhava lentamente, a rua deserta lhe conferia um ar lúgubre, sombras dançavam formando um balé macabro.

Ela não tinha medo, estava acostumada com a noite e seus mistérios, sua força vinha dela, e seu mundo era viver errante por seus becos obscuros.

Conhecia cada canto daquela cidade que tanto amava, e ao mesmo tempo odiava.

Tinha um fascínio pela noite, escondia mistérios que ninguém podia decifrar, amores impossíveis, amantes apaixonados, tristezas profundas e segredos inconfessáveis.

Mas ela também sabia, que era só ali, na escuridão que poderia viver, era sua sina e sua maldição.

Não se importava, fora criada indenpendente, não precisava de mais nada, deslizava seu corpo perfeito e lânguido por lugares inimagináveis, tinha um fogo no olhar impossível de esquecer, seus cabelos vermelhos caíam-lhe pelos ombros como labaredas incandescentes, suas roupas negras, coladas ao corpo eram como uma segunda pele, parecia que já havia nascido dentro dela, dado ao encaixe perfeito em suas curvas .

Naquela noite estava agitada, entrou no bar, sentou-se no balcão, e pediu o de sempre.

Sentia os olhares em seu corpo, quase perfurando sua blusa, não se importava, até gostava da sensação de ser desejada, sabia disso, e se orgulhava.

O relógio marcava 23h53. Não precisou virar-se, sentiu seu cheiro, tão familiar, um cheiro adocicado de madeira, selvagem e perturbador.

Sentou ao seu lado, e pediu algo mais forte. Beberam em silêncio.

Não trocaram nenhuma palavra, sabiam porque estavam ali. Tinham um desejo em comum, e isso lhes bastava.

Saíram para a escuridão da rua, o ar gelado fez com que seu corpo tremesse, não de frio, mas de desejo, ja não poderia mais controlar, não esperou muito, e ali mesmo, ele a beijou.

Um beijo forte, quente e selvagem, sua boca suplicava por aquilo, era como uma redenção, um pedido de socorro, com violência arrancou sua blusa, e ali encostados na parede ele a possuiu, lágrimas rolaram por seu rosto, num mixto de desejo e tristeza.

A parede machucava suas costas, mas não se importava, nada mais importava, sua lingua penetrou fundo sua boca, quase como que invadisse sua alma.

No vai e vem de seus corpos, só um pensamento lhe veio a cabeça, e sabia o que viria depois.

Unidos em um só corpo, em uma dança animal e primitiva, consagraram aquele momento, culminando em um espasmo que invadiu todo seu ser.

Não ouviam nada, o silêncio era sepulcral, só seus corações batendo descompassados, em um ritmo frenético.

O líquido espesso e morno escorreu por entre suas pernas, era o que iria guardar dele.

Então, se recompondo, virou para ele, e em um abraço demoníaco o envolveu, ele deixando-se levar, não resistiu, e sem nenhum pudor ou medo, ganhou o beijo da morte.

O sangue escorreu por seu pescoço, e com um olhar de penitência e terror, sorriu pela última vez.

Com ele nos braços, ali permaneceu, durante um longo tempo.

Percebendo os primeiros raios de sol, o abandonou, ali naquele beco fétido e escuro.

Ja não sentia mais o perfume adocicado, tão familiar. Só o gosto amargo de seu sangue, que ainda persistia em sua boca.

Caminhava lentamente pela ruas, seu lar. Não sentia mais tristeza, seu coração a muito ja não batia, era somente algo que existia dentro de seu corpo.

Sabia que teria que retornar, e não se importava mais, nada importava mais.


Somente sobreviver... sobreviver.




 
 


Algo de bom ta acontecendo. Mesmo amando o frio, tenho que admitir, o verão e o calor definitivamente, são afrodisiacos da alma.

As pessoas ficam mais felizes, sorriem mais, corpos a mostra, olhares, a sedução esta no ar!

E viva o calor!
Sabe, eu tenho minhas restrições quanto a estação do Astro Rei, mas admito que ela é a altamente "erótica", e afrodisíaca, como ja falei na frase acima.

Porque? Bom, é só notar os bares no final da tarde, nos sábados a noite, na boa, em qualquer horário, e não é só nos bares, é nos cafés, nas praças ... em todos os lugares.

É como um imã, uma tendência natural, pouca roupa, o calor no corpo, aquela vontade de sair e se divertir, a noite agradável que te puxa pra rua, e para perto de alguém.... não tem coisa melhor.

É no verão que rolam as mais deliciosas aventuras, quem nunca teve um amor de verão, e uma história deliciosa pra contar, que me perdoe, mas não viveu.

Seja na praia, na serra ou no campo, tanto faz, é sempre no verão que rolam as fantasias, que deixamos de nos importar com conceitos e regras, é a hora de deixar rolar.
E aqui no Brasil, nessa estação, ainda temos o carnaval, indiscutivelmente a festa pagã mais brasileira de todas sem sombra de dúvida, praticamente um tributo ao verão, ja imaginou o carnaval no inverno? Que sem graça, todos tiritando de frio, com botas e cachecóis... uiii!

Pelo menos por aqui, (porque não vamos esquecer do refinado carnaval de Veneza, com suas máscaras chiquérrimas) essa festa foi feita sob encomenda para os brasileiros, muitos não gostam, tudo bem, mas cá entre nós, só no carnaval pra soltar todos os bixos, e pular até o amanhecer ao som de aláláôô!


Tudo conspira, as bebidas mais coloridas, as roupas mais leves, os corpos bronzeados contrastando com o tom claro do céu... ai ai ai uma delicia!
Mas enfim... o Verão ta ai, se bem que aqui no Sul ele demora um pouquinho, mas no resto do Brasil, ele ja perdura a tempos, então vamos curtir, manguinhas de fora, perder aqueles quilinhos a mais adquiridos no inverno... e sair por ai!!


Ah... mas como diz o Bial... não esqueça nunca o Filtro Solar!

 
 


Hoje meio mole, meio azeda, meio doce, meio meia boca.
O dia ta lindo, que chega até a doer, faz 29º na capital do Rio Grande, e eu definitivamente não me acostumo com o calor, as vezes penso que nasci no país errado, e olha que aqui no Sul, temos um baita frio no inverno, mas também quando chega a primavera e o verão, sai de baixo, só dentro de uma banheira com água gelada.

Enfim, to tentando terminar meu conto, ta virando lenda, mas assim é legal, causa um suspense.
Pior que hoje estou sentimental, (culpa dela, a malfadada TPM) me peguei derramando litros de lágrimas vendo Forrest Gump pela milésima vez...
Aí tudo que escrevo, sai meio água com açucar, nem vou continuar, corro o risco de escrever algo estilo Sidney Sheldon ( do fundo do baú agora) acreditem ou não, foi uns dos primeiros autores estrangeiros que li na minha vida, culpa da minha mãe, que tinha dúzias de volumes dele.

E sabe que eu adorava, aquelas histórias sensuais, mulheres lindas, praias paradisíacas, os homens então, esses nem se fala, fortes, ricos e misteriosos, e sempre com a descrição de lugares exóticos e distantes. Eu viajava, literalmente, e olha que eu tinha mais ou menos 8 ou 9 anos quando lia isses livros.

Bom, voltando ao conto, to tentando escrever algo, e vamos ver se consigo, mas hoje acho que não, ja escrevi dois parágrafos, e saiu totalmente mela cueca, socorro!


Então, vou aproveitar o belo dia e dar uma saida, torcendo para que não passe nenhuma propaganda de margarina, ou de supermercado, que me faça chorar de novo...

Aí, não da pra querer.

 
 



As vezes as palavras fogem da minha cabeça, sei que elas estão lá, mas fica difícil colocá-las para fora, nem sei direito porque.
Comecei um novo conto, ele esta lá, inacabado, vigoroso, vivo, pedindo minha atenção.
E eu, não me achando digna dele, deixo-o abandonado, implorando por minhas idéias, que acho ainda imaturas, cruas até, porque não.
Vejo o que escrevo dessa forma, como algo vivo, que precisa de atenção, carinho, como uma planta, um animal, como o ser humano, que sem isso enfraquece e morre.
Então, se não posso dar o meu melhor, prefiro deixar assim, inacabado, como se estivesse dormindo, as vezes vou lá, olho, faço correções, aninho-o em meu peito, fazendo com que ele saiba que é importante e não foi esquecido. Como recompensa, ele me da seus páragrafos quentes, fantasiosos, e eu, orgulhosa, me sinto a mulher mias feliz do mundo, por ter criado algo que faz sentido para alguém.
Sei que sou iniciante, não tenho a prática dos letrados e poetas, mas tenho uma vontade, que me instiga a continuar, mesmo não sabendo o que me espera.




Quando as idéias brotarem, ele vai acordar por minhas mãos, e mesmo se elas forem amadoras, imaturas, não tem importância, porque nós nos entenderemos... sempre...