Não sabia mais o que pensar, era como se uma névoa encobrisse sua alma.

Na escuridão do quarto, podia sentir o peso do silêncio, que só era quebrado pelo vento nas árvores.

Acordou sobressaltada diversas vezes, seu corpo estava banhado de suor, e mesmo tentando, não conseguia se desvencilhar daquele sonho.

Ouvia vozes no quarto, sentia a presença que a rondava, noite após noite .

Tentava em vão dormir, mas ao fechar os olhos, lá estava ele, sempre a espreita, perturbador, incógnito sobre a penunbra que encobria seu rosto.

Naquela noite, ele a chamou pelo nome, e com o coração batendo descompassado, levantou-se e esperou.

A voz rouca e grave, chamava por ela, ansiava por ela, e mesmo sentindo um medo que jamais sentira antes, ela o seguiu.

Seu hálito era quente, suas mãos fortes e ao mesmo tempo gentis, acariciava seu corpo de uma maneira que nenhum homem chamais fizera.

Percorreu lugares que ninguém ousaria, explorou cada recanto dela, como se fosse um peregrino em busca da terra prometida.

Nada era mais segredo, e entregou-se totalmente aquele desconhecido, que nem em seus sonhos mais secretos imaginou que pudesse encontrar, seu corpo era dele, sua alma lhe pertencia, e ele agora a possuia inteira sem pudores ou vergonha.

Seus beijos eram fortes, sedentos, nada sabia sobre ele, não conhecia seu rosto, seu nome, sua história ou sua origem, mas conhecia cada curva de seu corpo, e isso lhe bastava.

Exausta, deixou-se levar pelo sono, e pelo êxtase que havia experimentado. Adormeceu em seus braços, sentindo-se feliz e intrigada, ainda com seu cheiro e gosto na boca.


Acordou assustada, sozinha na cama, o sol estava despontando no céu, e deixava passar seus primeiros raios, timidamente pelas frestas da janela.

Olhou para o lado e não viu ninguém, nenhum rastro daquela que tinha sido uma noite quase etérea, somente um perfume adocicado no ar, não sabia ao certo se tinha sido um sonho... ou fruto de sua imaginação...

Mas ainda podia senti-lo dentro dela, e uma dormência entre suas pernas a fez lembrar disso...
Se o veria de novo, não sabia, quando a noite chegasse estaria lá...
E por ele esperaria, sempre...

 
 
 
 

Postar um comentário 4 comentários:

Alisson da Hora disse...

"podia sentir o peso do silêncio, que só era quebrado pelo vento nas árvores."

sobre o resto não comento...sou um rapaz família...ehehehe

lindo clima...

beijão

a.h.

18 de novembro de 2008 17:25

D.Ramírez disse...

Minha Nossa!!! Logo terá que por o avido prá maiores..rsrs
Nem sei oque comentar!!!! Isso tá muito bom, e caliente!
Mas sério, sutil, envolvente e muito bem escrito.
Besitos

19 de novembro de 2008 07:47

lis disse...

Renata,
Muito sensual o teu conto. Bonito, quente...rs.

Gostei!

Beijos.

19 de novembro de 2008 08:56

João da Silva disse...

Lindo. Lindo, a ponto de me emocionar.
Amei.
Beijos carinhosos do João

24 de novembro de 2008 22:47

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