Ano Novo... 2009 batendo na porta.


E depois da retrospectiva feita, tava pensando, o que eu quero levar de 2008 comigo?



Quero levar os sorrisos sinceros, as palavras carinhosas, os telefonemas inesperados, as amizades verdadeiras, os sentimentos correspondidos, as festas divertidas, as tardes tranquilas, os dias de frio embaixo das cobertas, o sorriso das crianças, a festa dos meus cachorros, o canto dos pássaros, o abraço da minha mãe, a compreensão dos irmãos, as conversas despretenciosas, as novas amizades, as antigas amizades, as novas descobertas, os beijos com amor, os abraços apertados, as palavras de incentivo a sensação do novo, do inesperado.

E claro, tem muitas outras coisas, que nem caberiam aqui, pois felizmente, as coisas boas são infinitamente maiores dos que as ruins, que é claro, existiram sim, até porque, que vida sem graça seria sem algumas adversidades.



Pode ter sido um ano dificil pra muita gente, mas penso que as coisas ruins ou desagradáveis, servem para nos ensinar algo, nos tornar vivos, e nada é perda de tempo, tudo é aprendizado. Basta saber enxergar.

E sabe, posso dizer com certeza que esse foi um ano muito bom... com altos e baixos, mas muito bom.

Então, queria deixar aqui, meu abraço carinhoso a todas as pessoas que conheci através do blog, um mundo novo foi me apresentado desde que começei a escrever, e fico imensamente feliz em saber que muitas pessoas se identificam e gostam do que eu escrevo, isso para mim foi com certeza um dos maiores ganhos de 2008.


Obrigada a cada um, que com sua forma carinhosa e especial, suas palavras de incentivo e amizade, (alguns mesmo estando longe) foram responsáveis por eu estar aqui hoje, escrevendo, e tentando mostrar um pouquinho de quem eu sou.



Um Feliz Ano Novo a todos..... e nos vemos em 2009!!!














 
 


Retrospectiva.


O ano tá acabando, impossível não fazer a tão conhecida retrospectiva.
O que fiz, o que deixei de fazer, o que era para não ter feito, o que poderia ter dito, o que com certeza nunca deveria ter sido dito, etc etc...
Nas últimas semanas esse pensamento tem quase que diariamente me assombrado, e confesso que já coloquei tanta coisa na balança que em determinados momentos me perdi.
Então, deixo aqui uma pergunta: O que você fez para que seu ano fosse inesquecível?
Tipo, coisas que só dependeriam de ti para serem realizadas.
Eu já me fiz essa pergunta, e depois de horas filosofando comigo mesma, cheguei à algumas conclusões.

*Deveria ter sido mais persistente, menos acomodada.
*Ter dito mais vezes eu te amo, e com certeza escolher melhor quem deveria ter ouvido isso.
*Ter feito mais exercícios.
*Ter comido coisas mais saudáveis.
*Ter ficado mais em casa com minha família, ter saído mais com os amigos.
*Ter comprado menos bobagens, e mais livros.
*Ter ido mais vezes ao cinema.
*Ter tido tempo para caminhar sem rumo, sem pensar em nada.
*Ter ido mais a praia, e ficar somente olhando o mar.
*Ter escolhido melhor minhas companhias.
*Ter falado menos e ouvido mais.
*Ter tido alguém para me ouvir mais, sem que eu tivesse que falar nada.
*Ter pensado mais antes de falar.
*Ter pensado menos antes de agir.
*Ter dado mais atenção a quem merecia, e não me ocupar tanto com quem nada queria.
*Ter chorado menos por coisas sem importância.
*Ter escrito mais.
*Ter sido menos ansiosa, e mais paciente.
*Ter sido menos complacente e mais direta.
*Ter sido mais forte em relação as perdas, porque mais dia menos dia iremos sofrer alguma, e é nesse momento que percebemos o quanto crescemos.
*Ter sido mais criança em alguns momentos, e mais adulta em outros.
*Ter ficado mais noites acordada me divertindo.
*Ter dormido mais.
*Ter visto o dia nascer, e o sol se pôr.

Enfim, a lista é grande, mas mesmo assim, meu ano foi muito bom, tive tropeços, tive decepções, tive alegrias, tive momentos memoráveis com pessoas especiais, tive momentos nem tão memoráveis com pessoas nem tão especiais, tive dias de chuva, e muitos de sol, tive abraços sinceros e beijos verdadeiros, e outros que é melhor nem comentar aqui.
E tudo isso vai ficar para sempre na minha memória, porque faz parte do meu DNA de vida.
É minha história, que mesmo não sendo a mais brilhante, a mais glamurosa ou aventureira, é a minha, e só por isso, já é especial.
Quando nos damos conta que nossa melhor e mais verdadeira companhia somos nós mesmos, tudo começa a fazer sentido, e só então podemos nos fazer e fazer alguém feliz.


Um Feliz Ano Novo para todos, mesmo ainda faltando alguns dias para ele chegar.

 
 


Se não tiveres algo de bom para falar... não fale.
Pois depois de proferidas, as palavras ficarão para sempre na memória e no coração de quem as ouviu.

Se nada de bom e verdadeiro tiveres a oferecer, não o faça levianamente, pois depois de cativo um coração, será sua a responsabilidade de zelar por sua felicidade, não o maltrate, se não quer que mais tarde não o façam contigo.


A falta de cuidado com os sentimentos alheios é uma falha imperdoável...

 
 


.....


Esperava à algum tempo, suas mãos suavam, seu coração batia acelerado e uma ansiedade gostosa tomava conta de seu corpo.
Não conseguia entender o que estava sentindo, era tudo tão novo, tudo que mais detestava, mais repudiava, estava nele, ele era orgulhoso, sarcástico, suas palavras eram sempre amargas, ferinas, mas não podia controlar o que sentia em sua presença, ele era magnetizante, seus olhos negros e profundos, por vezes até tristes, tinham algo perturbador.
Suas maneiras polidas e educadas, seu tom de voz hipnótico, sempre elegante, atraia todos para sua volta, não entendia que tipo de efeito ele causava nas pessoas, pois mesmo sendo muitas vezes detestado, com a mesma intensidade era venerado.
E agora estava ali, a espera daquele homem, que possuia um gênio forte e uma personalidade intrigante, por vezes cruel e indiferente.
Esperava por ele, ansiava por ele, ele era seu escolhido, não precisava de mais nada, somente um toque ou uma palavra sua.
Quando chegou não disse nada, tomou-a nos braços e beijou-a intensamente, seu beijo era quente, e sentiu todo seu corpo fraquejar, suas mãos eram fortes, guiadas pelo simples desejo de tocá-la, percorrê-la.
Nunca havia sido tocada antes, seus seios rijos, sua pele macia, seus fartos cabelos castanhos, que contrastavam com a delicada pele branca, eram um convite ao pecado.
Ele sabia que era o primeiro, e foi gentil e viril, forte e terno, ela retribuindo, entregou-se de corpo e alma a ele, a seus desejos, a tudo cedia com uma docilidade infantil, e ao mesmo tempo voraz, como se quisesse devorá-lo por inteiro.
Deixava-se guiar por seus pedidos, sua boca percorrendo seu corpo suado, seus gemidos quase sussurados, que pediam mais, enquanto ele como um viajante sedento, banhava-se no líquido quente que escorria de seu corpo, espesso e doce, como o mais puro néctar.
Queria que o tempo parasse, a explosão que sentiu por todo seu corpo a fez chorar, e nada no mundo poderia ser comparado ao que viveu naquele momento.
Seus corpos unidos em um, suas bocas juntas, e a respiração ofegante, sentiu-se bela, livre, uma mulher realizada pelo homem que havia escolhido para torná-la mulher.

O gozo foi intenso, longo, perdeu a noção de espaço e tempo, queria mais, ansiava por mais, e ele, com a experiência da maturidade, entendia seus movimentos, tocando-a e despertando nela sensações deliciosamente pecaminosas.
Poderia ficar durante horas ali, sentindo-o dentro de si, quente e forte, mas sabia que teria que ir.
Vestiu-se, ainda com seu cheiro no corpo, queria prolongar ao máximo aquela sensação de prazer e entrega que havia vivido, não se importava com mais nada.
Ele tentou em vão pedir que não fosse, mas não podia, o dia estava amanhacendo, e não poderia ficar mais.
Deixou-o exausto, em sua boca persistia o gosto dela, de sua inocência, que ele sugou com uma vontade quase insana.
Naquele momento só tinha uma certeza, a sensação de que não a veria mais, nunca mais.

 
 

A Estrada.(continuação)


O cheiro do café penetrou em suas narinas, a muito não acordava assim, lembrou de sua infância, quando sua mãe preparava torradas e o café fresquinho enchia a casa com um aroma delicioso.
Virou-se e a viu, entre xícaras e pratos, tentando fazer da pequena cozinha um restaurante francês.
Sentiu-se bem, estranhamente feliz, algo estava diferente.
Ela vestia a mesma camiseta, e seu corpo todo parecia dançar, as pernas bem torneadas, mostravam o inicio de uma roupa intima branca, ficou ali espiando, como um adolescente, ela continuava linda, seu corpo ganhara formas mais consistentes, o cabelo curto conferia-lhe uma ar jovial, que beirava a inocência sem perder a sensualidade, seu encanto estava exatamente nisso, no ar de menina, mas com uma malícia no olhar que o deixava desconcertado.
Ela estava feliz, e não queria estragar aquele momento, começou a falar sobre sua vida, suas viagens, seus muitos projetos, contou-lhe sobre sua vida também, as mudanças que havia planejado para si, olhou-o séria, e viu o desejo em seu olhar.
Ela aproximou-se, e segurando em seu rosto pediu-lhe perdão, por tudo, por suas loucuras, suas palavras desmedidas, seu jeito passional e seus devaneios.
Seu perfume era atordoante, inebriante, ela era como um imã, e o desejo que sentia tornou-se incontrolável, puxou-a para si e a beijou, era um beijo forte, que guardava toda a vontade e o ardor de uma paixão que agora ressurgia, com toda a força.
Despiu-a como se fosse a primeira vez, analisando cada pedacinho de seu corpo, e relembrando de cada detalhe, que durante muito tempo fez questão de esquecer, ela tremia, como uma menina, e deixou-se possuir sem nenhuma resistência.
Amaram-se ali mesmo, com uma vontade desmedida, que ultrapassava todos os limites, beijava-a com a voracidade de um louco, tocava-a, acariciava-a, percorria todos os recantos de seu corpo, deliciado pelo prazer que causava.
Via em seu rosto a paixão e o medo, de que tudo voltasse a ser como antes.
E ele sabia, era a ultima vez, esse pensamento o fez arremeter com mais força, e olhando-a nos olhos, viu surgirem lágrimas e um pedido de perdão.
Caíram exaustos, ela aninhada em seu peito, como uma menina indefesa, dormia um sono tranqüilo,em sua face a paz e um leve sorriso de felicidade.
Levantou-see vestiu-se, sabia que não poderia levar adiante.
As lembranças estavam todas surgindo como um turbilhão, seu gosto ainda permanecia em sua boca, e o cheiro do amor ainda estava em seu corpo.
Mais uma vez parou ao lado dela, e olhou-a, tão vulnerável, tão desprotegida, mas sabia, ela era como um felino selvagem, mais dia menos dia ia querer sua liberdade novamente.
Tinha consciência que dependia dele, tinha tomado sua decisão, e sua vida não mudaria mais por causa dela.
Ela acordou feliz, espreguiçou-se, revirando-se no pequeno sofá da sala, sentiu-se renovada, ainda sentia seu cheiro, e seu corpo dolorido a fez lembrar do que havia acontecido, ele ainda a amava, ela sentiu isso.
Levantou-se, e vestiu a velha camiseta dele, procurou-o pela casa, ele não estava.
Saiu na rua, um vento gelado bateu em seu rosto, olhou para os lados, e o viu, perto da estrada que margeava a frente da cabana, olhando para o horizonte.
Ela chegou por trás e abraçou-o com força, ele não retribuiu o gesto, ficando imóvel e silencioso.
Beijou-lhe o rosto, ele virou-se afastando-a, com dúvida e uma certa tristeza olhou-o, ela já sabia, sabia o que tinha deixado para trás aquela noite, e no seu olhar, percebeu que o que tinha acontecido ali fora somente um desejo que havia sido sufocado pelo tempo.
Sua indiferença doía, e agora sabia a dor que havia causado, e tudo que havia perdido por seus arroubos e loucuras.
Ele não a queria mais, deixou isso claro, suas palavras foram duras, ele estava mudado, o amor que haviam experimentado algumas horas antes era somente desejo, não mais que isso.
Olhou para a pequena varanda da casa, suas coisas já estavam lá, ela ainda tentou em vão pedir para ficar, mas ele não cedeu, seu coração estava apertado, mas tinha que mudar essa história, ela era como o vento, ia mudar seu rumo, ele sabia disso, e saberia onde encontrar a felicidade, assim como ele havia encontrado a dele.
Com um beijo no rosto despediram-se, ainda viu quando ao longe ela virou-se para um último olhar, provavelmente o último de suas vidas.
Sentado na pequena varanda, a xícara de café em uma das mãos, e um alívio no peito, não queria mais lembranças, não queria mais viver no passado, de agora em diante seria a visão da pequena estrada e de uma nova vida, que finalmente, estava pronto para viver.
**
Um agradecimento especial para meu querido "co-autor", André Ckless, que com seu jeito sincero e espontâneo, viveu, sugeriu, e participou intensamente na conclusão desse conto.
Sem ele, com certeza não seria a mesma coisa.

 
 

A Estrada (continuação)


Acordou com um ruido na porta.
Lá fora somente os sons da noite, um silêncio quase celestial, podia ouvir seu coração batendo.
Levantou-se devagar, fazia frio, o inverno começava a despontar, e o vento gelado que vinha das montanhas já se fazia presente.
Vestiu-se como pode, sentiu um arrepio na espinha, pensou que mais tarde deveria colocar um fogão a lenha, manteria a casa aquecida.
Pegou a lanterna, não acenderia as luzes, se fosse um animal em busca de alguma sobra do jantar, havia perdido seu tempo, ainda não tinha nada a oferecer, exceto, algumas bolachas e frutas.
Na penumbra, encaminhou-se até a porta, os ruídos aumentaram, era como se alguém estivesse tentando forçar a entrada.
Avistou um pedaço de madeira que havia deixado perto da porta, para segurar a janela que ainda estava sem as trancas, o lugar aparentemente era seguro, não pensou que se preocuparia com portas e janelas, munido com algo que pensou, o protegeria, se é que era possível, abriu a porta, e sem pensar avançou para cima, daquele que parecia ser o possível invasor de sua casa.
Não conseguiu ver nada, a escuridão era total, só um amontoado de braços e pernas, e tentativas de se desvencilhar, quando conseguiu imobilizá-lo, e com a lanterna iluminou seu rosto, o susto e a surpresa.
Ali estava ela, toda arranhada, seu rosto vermelho e suado pela luta para se soltar, vestia uma camiseta branca, jeans e tênis, seus cabelos agora curtos, lhe conferiam um ar infantil, quase andrógino, era como uma criança que havia saído do parquinho, mas sem sombra de duvida ainda era ela.
Levantou-se rápido, com um sentimento entre incredulidade, surpresa e até uma ponta de felicidade, não conseguia definir o que sentia, ali estava ela, na sua frente.
Ela olhou-o com ar de ofendida, e sacudindo a poeira de sua blusa, estendeu o braço, pedindo ajuda para levantar- se.
Claro, perdido em suas divagações, nem havia percebido que quase a acertara com aquele pedaço de madeira, que por sinal, ainda permanecia em suas mãos, jogou-o longe e ajudou-a a levantar-se.
Agora sim, podia olhá-la, ainda era a mesma, era como se o tempo não houvesse passado, pelo contrário, fora muito bondoso, estava mais linda, e com uma vivacidade invejável.
Depois de recompor-se, perguntou se não iria convidá-la para entrar, afinal, era tarde, e não queria ser atacada novamente por algum outro doido, que podia estar solto pelas redondezas.
Seu senso de humor e sarcasmo, sempre foram sua maior característica, e adorava isso nela.
Entraram, ela movimentava-se como se fosse a dona da casa, ou como se nada houvesse acontecido, largou a grande mochila que carregava nas costas, tirou os tênis e estirou-se na minha cadeira preferida, que ela sabia, ninguém ousava sentar, somente ela, em outros tempos.
Aliás, obedecer regras nunca fora sua maior virtude, adorava chocar a todos, tudo que deixava quem a rodeava constrangido, virava sua maior diversão.
Sentia um prazer indescritível, quando não entendiam o que falava, e com uma crueldade ferina, dava a explicação mais difícil e complicada que poderia existir, somente pelo prazer de ver a dúvida pairando no ar.
Tinha uma inteligência fora do comum, mas nunca conseguia terminar algo, devido a constante insatisfação que a cercava, sua vida era um ir e vir de cursos, viagens, empregos de somente um dia, ela brincava dizendo que não nascera para ser de um lugar só, era como o vento, que vive mudando de lugar.
E agora lá estava ela, ali em sua sala, sentada, com os pés para acima, e cantarolando uma melodia qualquer, uma mania sua.
Não conseguia proferir uma palavra, estava confuso, quando pensou que tudo estava indo bem, que sua vida estava entrando nos eixos novamente, eis que surge do nada, aquela figura que tanto o desestabilizou, que mudou seu mundo e sua vida, que antes dela era segura e normal.
Até gostava da normalidade, não queria aquele turbilhão de emoções novamente.
Depois do que pensou ser uma eternidade, mas que na verdade eram somente alguns minutos, perguntou a ela o que fazia ali aquela hora da noite, no meio do nada, porque sua cabana ficava à alguns quilômetros da estrada mais próxima, e somente de dia podia se chegar ali com segurança, sem o risco de perder-se na mata fechada.
Ela olhou-o profundamente, e fixando seus olhos nos dele, respondeu que tinha ido a sua procura, o que mais estaria fazendo ali, no meio do nada.
Ficaram se olhando, sem dizer nenhuma palavra.

Não queria pensar, deu sua cama para que ela pudesse dormir, disse que não conversariam aquela hora, amanha seria outro dia, e na primeira hora, mandaria que ela se fosse, não à queria ali.
Ela como se nada tivesse ouvido, pegou suas coisas e seguiu direto para se lavar, ele ainda a viu, quando saiu do banheiro, vestia uma camiseta velha, que reconheceu, havia sido sua, estava mais linda do que nunca, seus pensamentos foram rápidos, e quase esqueceu de tudo, a vontade que tinha era de beijá-la e amá-la ali mesmo, mas conteve-se.

Apagou a luz, e enrolou-se como pode em alguns cobertores no pequeno sofá da sala.
Seus pensamentos estavam confusos, ela ali, tão perto, tudo o que não queria lembrar, tudo o que somente queria esquecer, de volta em sua vida.

Fechou os olhos e caiu no sono, sonhando com uma vida , que agora, já tomava outro rumo.

*continua

 
 

A estrada.


Gotas de suor escorriam por sua testa. Pensou que era o suficiente.
Passava dás 17h, e seu estômago já dava sinais de vida, não se alimentava desde ás 12h e só havia comido uma fruta.
O trabalho o deixava feliz, vivo e cheio de energia.


Não se importava de toda a noite dormir cansado, mal tendo tempo para ler, ou ouvir algo no rádio.
Deitava e dormia um sono pesado, sem sonhos, puro e límpido como a água, sem muito tempo para pensar, tudo que não gostaria de fazer.
Estava trabalhando naquele projeto fazia alguns meses, seu sonho, que agora estava realizando.
Tinha usado todas as suas economias, na compra daquele terreno e no material necessário para fazer dele, seu lar nos próximos anos, era ali que iria envelhecer.
Com alguma experiência em marcenaria, não foi difícil construir uma cabana, sem luxos, mas com as comodidades que poderia precisar, fez o básico, como não era nenhum expért, para encanamentos, eletricidade e afins, conseguiu mão de obra no vilarejo vizinho, gente simples, mas muito boa.

Agora dava os retoques finais... a pintura, os acabamentos, queria que ficasse especial, e estava ficando.
Olhou satisfeito e orgulhoso de seu trabalho, estava sendo recompensado depois de todo o sofrimento que havia passado, e era ali, dando forma naquela simples cabana de madeira, que seria feliz novamente .
Muito tempo havia se passado desde que à tinha visto pela última vez, e mesmo assim, não era uma lembrança agradável.
Gostaria de guardar dela somente o que tinham passado de bom, não os insultos, as brigas, as mágoas e os ressentimentos. Isso não. Já havia esquecido, seu coração era fraco para essas coisas, se achava meio bobo, por esquecer tudo tão facilmente, vai ver era melhor ser mais duro, rancoroso.
Mas não, desde criança era assim, no máximo 2h emburrado, seus irmãos, dias sem falar, e com ele, bastavam alguns minutos já estava lá, falando e fazendo com que todos voltassem a rir e a brincar novamente.
Só que agora, já não era mais aquele menino, franzino, quieto, que adorava ler, e ficava horas olhando pela vidraça da janela, a muito deixara de ser.
Era um homem, e tinha sentimentos, estava ali para isso, para começar uma nova vida de maneira diferente, ali ia ter tempo para colocar em prática seu antigo sonho de escrever um livro, e ainda manter seus projetos paralelos.
Não queria pensar mais nela, a ferida mesmo cicatrizada, ainda estava dolorida, e as palavras proferidas ainda doíam em sua alma.
Estava cansado da busca, de sofrer sem nada receber, queria pensar em si, ser mais egoísta, consigo e seus sentimentos, e agora ia agir assim.
O sol já se deitava no horizonte, pintando o céu com matizes de laranja e um vermelho vivo, como se fossem línguas de fogo, deixando tudo a sua volta com um tom amarelo ouro.
Sentado em sua varanda, contemplava o horizonte, e a pequena estrada que sinuosa dermacava o caminho, pensando em tudo que o fez chegar até ali.
Sentiu uma ponta de tristeza, por deixar pessoas queridas, em detrimento de outra que tão pouco valor deu a ele.
Mas não esqueceria delas, nunca, e iria vê-las assim que estivesse instalado, por enquanto ainda precisava se manter afastado.
Teria tempo para digerir tudo, e recomeçar.
Ainda pensava nela, ela ainda era uma presença constante em seus pensamentos, mas isso é outra parte dessa história.


Entrou e pensou que estava feliz, e naquela noite, dormiria tranqüilo, cansado e com a certeza que estava no caminho certo.


*continua.