A estrada.


Gotas de suor escorriam por sua testa. Pensou que era o suficiente.
Passava dás 17h, e seu estômago já dava sinais de vida, não se alimentava desde ás 12h e só havia comido uma fruta.
O trabalho o deixava feliz, vivo e cheio de energia.


Não se importava de toda a noite dormir cansado, mal tendo tempo para ler, ou ouvir algo no rádio.
Deitava e dormia um sono pesado, sem sonhos, puro e límpido como a água, sem muito tempo para pensar, tudo que não gostaria de fazer.
Estava trabalhando naquele projeto fazia alguns meses, seu sonho, que agora estava realizando.
Tinha usado todas as suas economias, na compra daquele terreno e no material necessário para fazer dele, seu lar nos próximos anos, era ali que iria envelhecer.
Com alguma experiência em marcenaria, não foi difícil construir uma cabana, sem luxos, mas com as comodidades que poderia precisar, fez o básico, como não era nenhum expért, para encanamentos, eletricidade e afins, conseguiu mão de obra no vilarejo vizinho, gente simples, mas muito boa.

Agora dava os retoques finais... a pintura, os acabamentos, queria que ficasse especial, e estava ficando.
Olhou satisfeito e orgulhoso de seu trabalho, estava sendo recompensado depois de todo o sofrimento que havia passado, e era ali, dando forma naquela simples cabana de madeira, que seria feliz novamente .
Muito tempo havia se passado desde que à tinha visto pela última vez, e mesmo assim, não era uma lembrança agradável.
Gostaria de guardar dela somente o que tinham passado de bom, não os insultos, as brigas, as mágoas e os ressentimentos. Isso não. Já havia esquecido, seu coração era fraco para essas coisas, se achava meio bobo, por esquecer tudo tão facilmente, vai ver era melhor ser mais duro, rancoroso.
Mas não, desde criança era assim, no máximo 2h emburrado, seus irmãos, dias sem falar, e com ele, bastavam alguns minutos já estava lá, falando e fazendo com que todos voltassem a rir e a brincar novamente.
Só que agora, já não era mais aquele menino, franzino, quieto, que adorava ler, e ficava horas olhando pela vidraça da janela, a muito deixara de ser.
Era um homem, e tinha sentimentos, estava ali para isso, para começar uma nova vida de maneira diferente, ali ia ter tempo para colocar em prática seu antigo sonho de escrever um livro, e ainda manter seus projetos paralelos.
Não queria pensar mais nela, a ferida mesmo cicatrizada, ainda estava dolorida, e as palavras proferidas ainda doíam em sua alma.
Estava cansado da busca, de sofrer sem nada receber, queria pensar em si, ser mais egoísta, consigo e seus sentimentos, e agora ia agir assim.
O sol já se deitava no horizonte, pintando o céu com matizes de laranja e um vermelho vivo, como se fossem línguas de fogo, deixando tudo a sua volta com um tom amarelo ouro.
Sentado em sua varanda, contemplava o horizonte, e a pequena estrada que sinuosa dermacava o caminho, pensando em tudo que o fez chegar até ali.
Sentiu uma ponta de tristeza, por deixar pessoas queridas, em detrimento de outra que tão pouco valor deu a ele.
Mas não esqueceria delas, nunca, e iria vê-las assim que estivesse instalado, por enquanto ainda precisava se manter afastado.
Teria tempo para digerir tudo, e recomeçar.
Ainda pensava nela, ela ainda era uma presença constante em seus pensamentos, mas isso é outra parte dessa história.


Entrou e pensou que estava feliz, e naquela noite, dormiria tranqüilo, cansado e com a certeza que estava no caminho certo.


*continua.

 
 
 
 

Postar um comentário 6 comentários:

Alisson da Hora disse...

da memória nada se apaga...

beijo grande...

1 de dezembro de 2008 16:16

Sun(shine) , «3 disse...

Depois sou eu que tenho talento..
Consegues prender-me a atenção de tal maneira que desligo-me completamente do que se está a passar a minha volta.
Enquanto (te) leio construo um filme na minha mente, por vezes um livro, às vezes apenas (mais) uma página do meu diário.

Adoro, perfeito, gosto muito de todos os quadros que pintas aqui

:)
Beijo grande

1 de dezembro de 2008 20:08

Aline Dias disse...

Aguardo ansiosa a contunuação para um comentário final.
Pois tudo pode mudar...

1 de dezembro de 2008 20:35

Melsavinon disse...

ai ai passar por aqui me faz viajar!!!Gosto muito...
beijão...

1 de dezembro de 2008 22:02

Marcos Campos disse...

Olá Renata!!
meu, como a leitura de seus textos é gostosa...com certeza lerei a continuação, vc sabe mesmo, escrever sobre sentimento/comportamento humano, e os detalhes que descreve, faz a gente se transportar mesmo para a cena...assim como Anne Ride e Alan Poe...
Muito legal!!
Beijos

5 de dezembro de 2008 18:19

Marcos Campos disse...

Olá Renata!
D~e uma olhada nesse blog, vcs escrevem de maneiras bem diferentes, mas acho que vc vai gostar...
ai vai: http://silpocay.blogspot.com/

5 de dezembro de 2008 18:23

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