O lugar estava cheio, a música era hipnotizante.

Risos, meia luz, taças de vinho tilintando e uma sensação inebriante de felicidade.

Estava ali eu, sentada naquela cadeira, acompanhando meus pais em mais uma noite que na minha visão seria como todas as outras, conversas vazias no meio de gente chata.

O que eu, no alto dos meus 15 anos fazia ali, naquela pequena cidade, no meio de pessoas tão sem graça?

Depois de várias recusas para dançar, e algumas tentativas frustradas de ir embora, aconteceu algo inesperado.

Foi quando ela entrou.

Todos na sala viraram-se, possuía um andar único, mesmo que quissesse não poderia passar despercebida.

Pararam-se as danças, os risos, tudo cessou, era somente ela no meio do salão, virou-se para os músicos, e com apenas um sinal, a música recomeçou.

Seu rosto, agora corado contrastava com a cor alva de sua pele lisa, quase juvenil, seus cabelos escuros e curtos, deixavam a mostra sua nuca e seu pescoço de proporções perfeitas.

O mundo podia acabar naquele momento, aquela visão era mágica, surreal.

E ela dançava... ao som frenético daquela música, quase que em transe.

Não se importava com nada, era livre, olhos famintos a seguiam, e ela gostava.

Ah! Ela gostava de ser admirada, desejada, brincava com os sentimentos alheios, era sua diversão, conseguia aguçar a imaginação do mais sério dos homens.

E eu à admirava, tudo o que queria ser, o que queria ter, seu jeito passional, sua segurança, sua maneira muitas vezes até libertina era fascinante.

Era destestada por muitas, invejada por outras, admirada secretamente por todas.

A música parou, ela ofegante permanecia ali, imóvel, o suor escorrendo por suas costas, os braços caidos ao longo do corpo.

Eu olhava à tudo maravilhada, extasiada.

Ela abriu os olhos, arrumou o vestido, e caminhou lentamente para a saída.

Seu perfume ainda persistia no ar, doce e encantador.

Ninguém ousou falar uma palavra, mas os pensamentos quase podiam ser ouvidos.

Depois dessa noite, nunca mais foi vista, como chegou, partiu.

Em vão tentei saber sobre sua vida, mas nada descobri, era como se nunca tivesse existido.

Ainda guardo na memória aquela noite, aquela visão mágica, etérea, que durante anos foi minha referência de liberdade e beleza feminina, e que até hoje me emociona, tanto pela beleza como pela ousadia.



















 
 
 
 

Postar um comentário 8 comentários:

Érica disse...

Bom quando as lembranças boas voltam pra trazer doces sensações.
Beijos, gostei muito da história.

17 de junho de 2009 15:37

Bia Maia disse...

Meu Deus...
Estou PASMA...PASSADA...e com um IMENSO sorriso no rosto...

Que loucura...

Vou aqui fazer uma confissão para você...me identifiquei com cada linha...com cada palavra...

Sou "esta" mulher...DEMAIS!!!!!!

Sou a mulher que dança com a vida, para a vida, que sorri, que entra e sai ...e deixa um vheiro no ar...

"Não se importava com nada, era livre, olhos famintos a seguiam, e ela gostava."

Impressionante...

"Ah! Ela gostava de ser admirada, desejada, brincava com os sentimentos alheios, era sua diversão, conseguia aguçar a imaginação do mais sério dos homens."

Minha história de vida me fez "rir" desta "vida"...

"...seu jeito passional, sua segurança, sua maneira muitas vezes até libertina era fascinante.

Era destestada por muitas, invejada por outras, admirada secretamente por todas."

Sabe...pago um preço caro por ser como sou...mas não troco por nada...rs!

PARABÈNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Um beijo em você por sua tamanha SENSIBILIDADE!!!!!

Biazinha

17 de junho de 2009 17:05

Marcos Campos disse...

Oi Renata!!
Vc sempre consegue colocar minha imaginação a viajar...fiquei aqui imaginando essa mulher, com certeza não a mesma, mas a minha...
Beijos!!

17 de junho de 2009 17:55

Ruberto Palazo disse...

Uauu....

Alguma cenas nos marcam tanto, que acabam sendo nossos guias!!

Beijos

17 de junho de 2009 20:32

Bia Maia disse...

Querida Renata,

lhe fiz uma homanagem em meu blog...
Vá lá e veja!

beijos!

Bia

18 de junho de 2009 00:15

Sun disse...

Sabes bem que adoro aquilo que escreves, a forma que escreves, a magia dos sentimentos unida à simplicidade das tuas palavras....
TUDO! :)


Beijo querida, grande.

ps: ainda na correria com os exames -,- acabam amanhã !

18 de junho de 2009 17:47

D.Ramírez disse...

Até eu senti o cheiro do perfume dela. Vc escreve muito bem e me faz estar na cena. Coisas q ja falei, mas tenho q repetir. Adoro.
Adoei tbm o layout do blog;)
Besos

19 de junho de 2009 17:01

Leo Mandoki, Jr. disse...

nunca me importo se os textos são reais ou ficcionais..pq a bom rigor tdos os textso são as duas coisas....gostei bastante desse texto alter-ego..as nossas referencias de juventude e de infancia são sp importante para a nossa formação né?!...sabe de uma coisa? vc escolhe mto bem as palavras..e isso é bom...
um beijo

19 de junho de 2009 17:10

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