E ela me olhou com aquele olhar doce que só as crianças tem, e que de tão sinceros chegam a dar medo.

Não entendia porque eu chorava, porque eu estava triste.

Eu,no meu egoísmo,querendo sentir tudo,sofrer tudo,entender tudo, não percebi que mexia com os sentimentos dela.

Então veio a pergunta:


- Dinda, porque tá chorando?


Virei-me para ela, me olhava fixamente, com aqueles imensos olhos escuros, séria.


-A dinda está triste.

Ela ainda sem entender, perguntou.

-Porque?

Sempre somos pegos de surpresa com as indagações infantis, para eles tudo é simples, é preto no branco, é sim ou não, é gostar ou não.

Não sabia o que responder, o olhar sério, decidido, me envergonhou.
Porque complicamos tudo, pensei.


Respondi que algo havia acontecido, que havia me deixado triste, mas ia passar.

Ela, no alto de sua sabedoria infantil de 5 anos, me falou.

-Sempre passa. Tu tem eu dinda, tem a vovó, tem a mamãe,(minha irmã), e nós te amamos.(Exatamente como ela disse).
E o amor é tão grande, falou, que é maior que essa casa.

Sorriu abrindo os bracinhos pequenos, para demonstrar o que sentia.

Não pude falar mais nada, engasguei,e segurei as lágrimas que insistiam em cair.


*A vida deveria ser sempre assim, simples como o pensamento de uma criança.



 
 
 
 

Postar um comentário 6 comentários:

Sun disse...

E é simples, meu bem! Aí é que está o problema, somos nós ( seres errantes) que a complicamos em acessos de egoísmo, porque queremos moldá-la segundo a nossa maneira e ao nosso ponto de vista.
Se não fôssemos tão egocêntricos, não tenho dúvida de que as coisas se tornariam bem mais fáceis.

Não deixamos as coisas más passarem, ficamos engolindo e remoendo o mesmo nó na garganta, vezes sem conta. É este um dos nossos grandes problemas.

Ou se engole, ou se vomita. Ficar com o que nos faz mal no meio do caminho, é que não dá.

Um beijo anjo*

7 de julho de 2009 15:24

Flávio Gabriel disse...

Pensei sobre isso hoje. Enquanto viajávamos de carro, paramos em um lugar para comer. O carro estacionado de frente para o mato e a Phiorella no banco de trás, querendo comer oq comiamos. Olhei pra ela, olhei pro mato, e tive uma conclusão óbvia. Se fossemos morar no meio do mato, ela iria com a gente, feliz da vida, sem ficar pensando nos confortos que tinha antes.

Cães e crianças estão muito a frente de nós. Quem sabe um dia chegamos lá.

Obrigado por compartir comigo isso. Beijo.

7 de julho de 2009 17:12

Alisson da Hora disse...

Espero que a Dinda melhore.

7 de julho de 2009 20:21

Érica disse...

Talvez seja sabe? Eu não sei... Tenho minha dúvidas.
Quando a gente cresce e descobre as coisas do mundo, as tristezas, as maldades, até nossos próprios sentimentos nem sempre indulgentes, é tudo mais difícil. Para a vida ser mais simples, de repente, deveriamos fechar os olhos pra essas coisas (ou abominá-las, o mais difícil). E não dá pra fazer isso né? Infelizmente nossas razões não se encontram mais em um pote de tinta e um pincel, a gente não desenha mais o arco-íris e o sol, escrevemos nossas dores. Tranferência...
Mas eu conheço esse olhar que descreves, minha sobrinha me lança um desses de vez em quando. Nos momentos que não consigo me conter...
Acabando essa monografia só vou te dizer que é verdade, tudo passa.
Beijos.

8 de julho de 2009 08:09

Lis disse...

Ceianças são incríveis.
Espero que estejas bem, querida. Lembre-se sempre de cuidarde si. É importante.
beijosss

8 de julho de 2009 20:56

Maria Helena disse...

Minha filha, minha neta, realmente a sabedoria das crianças é infindavel, simples, ela sabe, nos te amamos, maior que a casa. É que nos temos a Re sensivel, amorosa, que merece um amor maior que o mundo, nos damos um maior que o universo. Minha criança nunca fique triste, se ficar que dure bem pouco, se chorar que seja de felicidade, as lagrimas de tristeza deixam a gente feia, então Dinda sorria, nos te amamos muito do tamanho do universo.
bjos

17 de julho de 2009 00:55

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