Noite



A noite chegou.
E ela irritada demais com o rumo da Opereta que era sua vida, resolveu ir para casa. E ficar sozinha.
Na falta de algo interessante.
Preferia sua própria companhia.

 
 

Tarde.
A tarde se arrastava.
Ela não conseguia se concentrar em nada.
Tanta coisa à fazer, e nenhuma vontade. O escritório fervia. Ela cheia de tédio só pensava em uma coisa.
Passou a tarde a olhar sites de pornografia.
Devassa todos diziam.
Tinha um fraco por esse conteúdo. Gostava de ver as posições, como faziam, as bocas, os braços, sabia que muita coisa era falsa e impossível de realizar, mas adorava.
Gostava especialmente dos que pareciam caseiros. Eram os melhores.
Ficava muito excitada, e depois de alguns pequenos vídeos, teve que ir ao banheiro, masturbava-se mais de uma vez ao dia.
Safada, era isso que ela era.
A noite ia demorar a chegar.
Mas sua imaginação já ganhava asas.

 
 

Manhã.

Acordou com o despertador tocando, estava no meio de um sonho delicioso e obsceno.
Despertador nojento, teve raiva dele.
O suor escorria por seu pescoço, e a roupa estava encharcada apesar do frio.
O corpo não queria levantar, por ela ficaria mais tempo na cama.
Pensou em tudo que tinha para fazer durante o dia, e cansou só de lembrar.
Queria era ficar ali... sem fazer nada.
Colocou a mão entre as pernas, um pensamento malicioso passou-lhe pela cabeça.
Ficaria mais um pouco.

Era uma pervertida! Pensava nisso o dia todo. Tudo bem, quase o dia todo.
Uma depravada, diziam todos.

Mas também, não importava-se com os outros, aliás, não importava-se com nada, gostava de chocar.
Seu jeito, modos, tudo era fora dos padrões.
Tinha um poder sobre o sexo masculino que era fascinante, e procurava a companhia deles sempre, mulheres eram chatas, enfadonhas, com seus choramingos, papinhos cor de rosa.... detestava.
Tinha uma ou duas amigas que ainda conseguia manter, e só.
A maioria de seus amigos eram homens, e metade deles haviam sido seus amantes.
Alguns haviam se apaixonado, mas não era mulher para um homem só.
Tinha uma teoria, uma não, várias.
Mas uma delas era que achava uma perda de tempo e um sofrimento desnecessário tentar ser algo que não era, tentar encaixar-se em uma vida certinha para manter aparências, para satisfazer outrens, eles, se quisessem, que se encaixassem na dela.
O resto, era o resto.
Mas isso é outro assunto.

Hoje estava para o perigo, levantou-se da cama de um salto.
O frio ja não atrapalhava mais, o calor já tomava conta de sua pele..
Um sorriso surgiu em seus lábios, e seu corpo estremeceu só de imaginar o que faria mais tarde.
Pegou o telefone, já sabia com certeza para quem ligaria.
Bom, já que teria que esperar até a noite, ia satisfazer-se à sua maneira, correu para o chuveiro, meia hora a mais meia hora a menos, não faria diferença.
.....

 
 









Tenho outra por dentro.










Um perigo isso.

 
 




Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim (...)



(...)E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis(...)

 
 

Afinal. O que é o amor?
É algo que sentimos? Que vivemos? Que escolhemos?



Que queima o corpo a alma, que faz tremer no calor e suar no frio.
Não podemos explicar quando ele chega, e nem tão pouco quando ele vai.
Pode surgir do nada, de onde menos esperamos.
Sem ele nos sentimos perdidos,e quando finalmente o temos em nossas vidas, simplesmente o abandonamos ou viramos as costas cruelmente,em alguns casos fingimos que ele não está lá e o deixamos em um canto qualquer.

E porquê?

Acredito que o amor é para poucos, é para corajosos que possuem a impetuosidade para sentir tudo,viver tudo, sem reservas, sem convenções, sem restrições...

E principalmente, sem vergonha de demostrar isso.

Mas falo de amor verdadeiro, não das paixonites que diariamente aparecem em nossas vidas.

Não as acho ruins, elas servem para muitas coisas, uma delas inclusive,na minha opinião, nos preparar para algo maior.

Já falei algumas vezes sobre o tema, e nem quero ser piegas tentando explicar algo que não precisa ser explicado, não precisa ser teorizado, não precisa ser entendido.
Palavrinhas doces, melosas, tentativas vãs de demonstrar algo, que muitas vezes somente um olhar pode dizer.


É louco? Faz perder a razão, os sentidos? Sim. Digo que sim.


Tudo tem sido uma surpresa na minha vida nos últimos meses.
E assim espero que continue sendo...
Não quero dias cinzas,saudações forçadas, não quero lembranças amargas e muito menos sorrisos sem graça.
Não quero discussões sem motivos, abraços sem emoção.


Não quero um amor pela metade,não quero amar pela metade.

Quero sentimento e emoção.

E quero que venha naturalmente... do coração.









 
 





Sou meu maior inimigo.


 
 



Sentada na sala vazia, o pequeno bilhete entre os dedos.

Palavras simples. Escritas a mão.

(...) A mulher do sorriso constante, do sonho constante... querer ser feliz.(...)


Sabia o que queria dizer. Leu e releu dezenas de vezes.

Mas o que havia escutado doía. O bilhete era somente a reparação (ou a tentativa) de algo, que ja sabia ser irreparável.


Como posso amar alguém assim? Que ama incondicionalmente? Foi o que ouviu.

As palavras ecoavam em sua cabeça. Tudo que havia feito, fora amar. Sem reservas.Incondicionalmente.

Realmente a decisão estava em suas mãos. Sempre estivera.

Como um jogo.
De palavras.
De sentimentos.
De mãos.
De corpos.


Olhou a volta. Sem lágrimas dessa vez.

Sem melodramas.

Sem despedidas.







 
 


Não sei bem para onde ele foi.


De uns tempos para cá tem me deixado a deriva, a mercê de idéias tão malucas, que nem eu mesma me reconheço.

Tenho procurado por ele em todos os lugares, mas ele insiste em fugir, se escondendo nos cantinhos mais complicados, mais obscuros.

As vezes me prega peças que me deixam atordoada, penso que seria muito melhor viver sem ele.

Afinal,porque sofrer tanto, pensar tanto, querer tanto, racionalizar tanto, ponderar tanto.

Se ele me acompanha, nada disso acontece, tudo fica certinho, no lugar.

Em alguns momentos corro ele da minha vida, eu mesma, com meu jeito meio doidivanas, passional, intensa(como muitos gostam de falar).

As vezes me faço de certinha, só para tê-lo por alguns dias ou somente por algumas horas comigo.

Mas quando volto a ser eu mesma, lá vai ele,embora novamente.

Pois é... se alguém encontrá-lo por aí, me avise.



Meu Juízo anda perdido, e acho que esqueceu o caminho de casa.