A sensação da entrega, mesmo que por pouco tempo.

Bocas, braços, pernas, beijos, gostos, cheiros, o hálito quente o gozo profundo e a inércia após o ato.

A respiração ofegante, o coração disparando incontrolável.
A boca pede, o corpo implora a pele suspira.
Odores se misturam, e no ar paira o cheiro adocicado do sexo.

A perda temporária dos sentidos, e o assombro ao recuperá-lo e perceber que tudo não passou de um devaneio sem medidas.

Deliciosamente obsceno.

Maliciosamente puro.

O renascimento de tudo o que quero, e a morte de tudo o que sinto.

A vida passada a limpo, com cheiro e gosto de sacanagem.






 
 


confusão
tristeza
insônia
vazio
ansiedade
lágrimas
sorrisos
tremores
temores
cegueira
loucura



amor....
*o resto... é histórinha pra boi dormir.

 
 


Insônia

Olhos parados, a penumbra do quarto é hipnotizante e a cabeça funcionando frenéticamente cria o clima perfeito para as mais loucas fantasias.

O coração dispara descontrolado.


As paredes brancas aguçam meus sentidos e meu olhar se fixa no pequeno ponto ao lado da cama.

Desde quando estava lá?

Sombras dançam nas paredes e meu pensamento se perde no meio de teorias, segredos, tristezas, alegrias, frustrações, desejos, perversões... tudo surge como um turbilhão, sem medidas, deixando a noite longa como se não fosse acabar.


Depois de duas noites sem dormir a vida toma novas formas, novas cores, aquilo que antes parecia simples torna-se um fardo, o pensamento mais puro, transforma-se em algo assustador.




A cama torna-se pequena, os lençois armadilhas, as roupas insuportáveis.

Olho o relógio, é como se estivesse parado, é como se não trabalhasse tornando tudo lento e agoniante.

Os primeiros raios de sol despontam, e meus olhos parecem duas poças de água parada, sem vida.
O dia começa em camêra lenta e assim vai ficar até a noite chegar, transformando tudo em sonho.
Quem sabe o que acontecerá, só a noite dirá.





 
 

Relembrando.

Um dia meio cinza, meio chato, meio aguado, meio meia boca.
Quase se arrastou, no vai e vem dos pianos, flautas, violinos e fagotes.

Os vidros embaçados e aquele som perdido pela casa, a caneca de chá quente o computador ligado em uma página qualquer que nem lembro, tudo bem, nem tava interessada mesmo.
Uma conversa interessante,outra nem tanto, e meus pensamentos iam longe, tão longe que quase me perdi no meio deles.
Risadas, e uma parada para pegar a caneca de chá.
Despedidas, e o som dos violinos tomam forma novamente.
Meu pensamento volta a se perder, uma música e lembranças que me fazem sorrir apesar de tudo.

Fim do dia, um mar de guarda-chuvas coloridos e pessoas sem rosto.
Os fones nos ouvidos me fazem viajar, e ir onde só eu posso chegar.
Chegando em casa a melhor surpresa do dia.
Em meio a tantos cinzas e sons arrastados, um sorriso cor de rosa e um beijo com gosto de pipoca.
Tudo se ilumina e volta a ser como deveria, risadas alegres, abraços quentes, cheiro de biscoito e gengibre.
E o doce som de palavras feitas para guardar no coração.
A vida sempre deveria ser assim...

 
 




O cheiro de terra molhada era inebriante.

A chuva batia nas pedras,lisas,sólidas,fortes.

A rua estava deserta, somente ela e seus devaneios.

Seus pensamentos iam perdendo-se,como as gotas d'água que caiam no chão, grandes e pesadas.


Caminhou durante muito tempo, a água caindo-lhe pela face.
Lavando tudo, seus pensamentos, seus sentimentos, sua alma.

Gostava da sensação de estar limpa, nova. Pura.


Seus pés agora andavam rápido, tinha vontade de correr, a chuva agora banhava seu corpo.

No meio de todo aquele frênesi, onde seu corpo fundia-se com sua alma, somente uma frase insistia em ecoar em sua mente.



"Não há nada mais irresistível, que uma bela coleção de defeitos."


Continuou na chuva com o rosto voltado para o céu, contando as gotas, que agora, beijavam-lhe o rosto.