Hoje gostaria de escrever sobre qualquer coisa.


Alguma coisa boba, engraçada, sem sentido.


Algo curioso, interessante, inteligente, espirituoso, curioso, misterioso, talvez até místico, quem sabe.


Algo que me deixasse leve, com vontade de rir alto, de abraçar alguém... de beijar alguém.


Algo que deixasse as pessoas imaginando coisas, que fizesse surgir aquele sorriso, aquele no canto da boca, que faz a imaginação voar alto.





Só queria me sentir assim. Feliz. Queria fazer alguém sentir-se assim.





Infelizmente, esse é um desejo que ultimamente tem sido difícil de concretizar.



Poucas pessoas tem o poder de despertar esse sentimento em mim, de tristeza.
Considero-me até uma pessoa afortunada, por que em alguns momentos mesmo não tendo motivos, pareço sempre (digo pareço) feliz.


Mas infelizmente uma, uma pessoa, sempre consegue.

 
 


- Onde esteve esse tempo todo?


- Por aí.


-Porque, fugindo de algo? Ou alguém?


- Estava com medo.


-De quê?


-Sofrer mais.


-E porque voltou?


- Mais uma tentativa.


- E perdeu o medo?


- Não. Mas a vontade de tentar e acertar é tão grande em mim, tão forte, tão viva, que mesmo caindo, mesmo chorando, mesmo achando que nada mais vale a pena, eu sempre volto.


- Mas isso não é um desgaste? Um sofrimento? Saber que "talvez" sofra, que chore, que se decepcione?


- Até pode ser, mas de que valeria a vida, que lembranças eu levaria? Algumas ruins, sim. Mas muitas maravilhosas, momentos meus que ninguém vai tirar.


- Isso para mim é impensável.


- Para mim. Não. E assim quero continuar, com meus meios estranhos, minhas fantasias loucas e insanas, minha emoção acima da razão, meus sonhos, meu jeito que muitas vezes é incompreendido, mas meu. Sem rodeios, sem meias palavras.



......



Olharam-se mais uma vez.

E ali despediram-se.


Foi a última vez que o viu.

 
 

 
 


Sobre a felicidade só tenho uma coisa a dizer.


Ela é escorregadia, é líquida, efêmera, etérea, vulnerável, sensível, quase surreal e muitas vezes irreal.


Digo isso porque quando sinto que estou feliz, quase nunca acredito e acaba que mesmo sabendo que está ali, pertinho de mim a deixo escapar.


Estou começando a acreditar que a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes.


É isso.... e não quero somente "momentos" em minha vida.




Tô cansada.


De expectativas, de tentativas, de sentir o que não quero, de sofrer pelo que não vale a pena.



Simplesmente é isso.


Cansei.

 
 




O corpo molhado pelo suor brilha na penumbra do quarto.

A respiração ofegante, o coração acelerado, a vontade quase primitiva.


Podia ficar assim, podia suportar tudo, a vontade, a ausência tão presente, o desejo que brotava enlouquecedor e que em alguns momentos tornava-se insuportável.


Mas não podia suportar não esquecer.

Esquecer o esquecível. Era esse seu desejo.

Era essa sua tarefa mais difícil.