O verão chegou, e com seu calor e sol vibrante trouxe paixões avassaladoras, noites quentes e novas emoções.
Veio então o outono e suas cores pálidas, tardes preguiçosas e um pôr-do-sol inesquecível.
No inverno, noites acaloradas por taças e mais taças de vinho rouge, o corpo fervia, segredos, conversas ao pé do ouvido, braços e pernas entrelaçadas.

Com a primavera a sensação do novo, carregada de expectativas e surpresas.
E então a descoberta. Ainda estava lá, intacto.

A roda do tempo, a mudança das estações, nada disso fazia sentido.
Pois tudo continuava ... igual.




E Ela.
Viveu. Amou. Sentiu. Chorou.

Teve os momentos que quis, e os viveu da maneira mais intensa, mais verdadeira e sincera como jamais havia vivido.


Assim como passam as estações. Passam as pessoas.
Passa a vida. Passam as tristezas.
O resto... são simplesmente ... momentos.

 
 



O que move um ser vivo de mesma espécie a abater outro, sem dó nem piedade?

Porque o amor é isso,um abate, que é feito e aceito por livre e expontânea vontade.

Falando do modo mais simplista, mais viceral.

Deixa-se morrer para viver novamente uma vida totalmente diferente da que se tinha quando ele,o Amor, não fazia parte dela.

O renascimento.


Exagerada? Um pouco.Gosto de dar um toque operístico a esse tema.
Até porque amor, crueldade, loucura, paixão, drama, lágrimas, desejo... tudo faz parte de um bom Libreto de Ópera.


O ato da caça por si só já é excitante, viciante.



Aí vem o "abate".O Grand Finale!


E quando menos esperamos estamos banhados em sangue, doando nossas vidas a outro(a), o verdadeiro sacrifício humano.





E então... o final derradeiro, nos comemos vivos, literalmente.



















 
 


Querendo ser mais do que já fui, talvez menos do que tenha sido.

Melhor do que pareço ser para uns, pior do que deveria ser para outros.
Uma pessoa mais sábia nas decisões, mais direta nas opções, mais concreta nas direções.
Mais certeira nas escolhas, mas sem medo de tropeços, de recomeços e de avessos.

O cru, o puro, o real, o concreto.
Meu ponto de partida. Minha linha de chegada.
(...) Me tire de casa está noite(...) é para lá que eu vou.

 
 



A casa estava vazia, os sons ao fundo traziam lembranças.


Tudo ali eram lembranças,as cadeiras,as paredes já gastas, os quadros desbotados.

Caminhando pelo corredor podia ouvir sua voz, era como se estivesse ali.


As risadas, os passos rápidos na escada de madeira antiga, a voz que parecia vinda de um sonho.

Na realidade, percebi que tudo não passou de um sonho, ou algo que eu mesma idealizei, aquela pessoa não existiu, aquela que eu confiava, que me fazia sentir segura, que me confiava seus segredos mais secretos,suas vontades mais íntimas, seus medos, suas inseguranças.

Essa pessoa foi inventada por mim, como um capítulo de um livro inacabado.

Isso mesmo, um livro inacabado.


Olhando hoje todo o cenário onde se passou essa história, relembrando tudo, vejo que teria sido melhor deixar inacabado, em vez de tentar sempre, incansáveis vezes, dar um final, ou até mesmo um recomeço.



Algumas histórias não merecem finais, merecem uma morte lenta,com algum sofrimento, claro, porque aí não teria graça não é?



Eu como uma boa capricorniana com ascendente em escorpião, não esqueço nunca de uma certa crueldade,aliada a uma dose teatral de sofrimento.


Sim, eu sofro, choro, fico alguns dias(tá, talvez mais)de luto, comendo chocolate e ouvindo músicas de fazerem uivar todos os cachorros da rua.

Mas passado o luto, eu volto mais "eu" do que nunca.


E realmente, as vezes peco pelas inúmeras tentativas,(esse lado mulherzinha indefesa e carente)que acabam um pouco com minha credibilidade.



Enfim. Hoje, dia do enterro, e acredito agora, definitivo.



Vestirei preto, tomarei um porre se for preciso, ouvirei algumas canções açucaradas, e naquele lugar deixarei algumas flores, para lembrar de que "um dia fui feliz" (?).


Mas claro, não esquecendo nunca.

"Que nada como um dia após o outro".(clichê né?)


Mas,e a vida não é isso, uma sucessão de clichês, histórias mal acabadas, capítulos mal escritos, mas adoravelmente deliciosos de se reler.