A casa estava vazia, os sons ao fundo traziam lembranças.


Tudo ali eram lembranças,as cadeiras,as paredes já gastas, os quadros desbotados.

Caminhando pelo corredor podia ouvir sua voz, era como se estivesse ali.


As risadas, os passos rápidos na escada de madeira antiga, a voz que parecia vinda de um sonho.

Na realidade, percebi que tudo não passou de um sonho, ou algo que eu mesma idealizei, aquela pessoa não existiu, aquela que eu confiava, que me fazia sentir segura, que me confiava seus segredos mais secretos,suas vontades mais íntimas, seus medos, suas inseguranças.

Essa pessoa foi inventada por mim, como um capítulo de um livro inacabado.

Isso mesmo, um livro inacabado.


Olhando hoje todo o cenário onde se passou essa história, relembrando tudo, vejo que teria sido melhor deixar inacabado, em vez de tentar sempre, incansáveis vezes, dar um final, ou até mesmo um recomeço.



Algumas histórias não merecem finais, merecem uma morte lenta,com algum sofrimento, claro, porque aí não teria graça não é?



Eu como uma boa capricorniana com ascendente em escorpião, não esqueço nunca de uma certa crueldade,aliada a uma dose teatral de sofrimento.


Sim, eu sofro, choro, fico alguns dias(tá, talvez mais)de luto, comendo chocolate e ouvindo músicas de fazerem uivar todos os cachorros da rua.

Mas passado o luto, eu volto mais "eu" do que nunca.


E realmente, as vezes peco pelas inúmeras tentativas,(esse lado mulherzinha indefesa e carente)que acabam um pouco com minha credibilidade.



Enfim. Hoje, dia do enterro, e acredito agora, definitivo.



Vestirei preto, tomarei um porre se for preciso, ouvirei algumas canções açucaradas, e naquele lugar deixarei algumas flores, para lembrar de que "um dia fui feliz" (?).


Mas claro, não esquecendo nunca.

"Que nada como um dia após o outro".(clichê né?)


Mas,e a vida não é isso, uma sucessão de clichês, histórias mal acabadas, capítulos mal escritos, mas adoravelmente deliciosos de se reler.
































 
 
 
 

Postar um comentário 8 comentários:

Érica disse...

Eu prefiro assim, sensata. Consciente da dor, do que deixa triste, mas sabendo que tudo na vida é apenas uma cambalhota.

Ta lindo teu post, arrebatador e muuuito familiar, porque eu vejo um monte de mim nessas entre linhas. São as coincidências??? rsrsrs

Apenas afinidades.

Beijos queriida!!!!

1 de março de 2010 15:01

Tata disse...

Nós mulheres temos a tendência horrorosa de enxergar aquilo que queremos no outro. E, algumas vezes, enxergando qualidades que nem existem na pessoa. E quando finalmente conseguimos enxergá-la como realmente ela é, sem nossas lentes foscas do amor, nem sempre gostamos daquilo que vemos.
E então, enterramos pessoa que criamos, e voltamos a realidade.
Mas o amor não é mesmo isso? Uma sucessão de enterros e renascimentos ? Já que não é eterno posto que é chama?

Lindo texto Rê!
Como sempre AMEI!
bjinhos Petite

1 de março de 2010 15:37

Juana disse...

Adorei, mas espero que não tome um porre, rs. Eu tô aqui pro que precisar.
''A casa estava vazia, os sons ao fundo traziam lembranças.'' - Essa é a casa dos meus sonhos.

1 de março de 2010 16:17

Sarah Slowaska disse...

Idealizaste alguém que só existe dentro de ti.
Isso acontece-nos tantas vezes.
Daí as decepções. Acordamos quando nos apercebemos que tudo não passou de um devaneio.

Faz parte da vida.
Beijos

1 de março de 2010 18:33

Mariana Tatos disse...

O bom da dor somente a consiência dela, e ter consciência é uma forma de busca ao discenimento e purificação de alma...eu só fico de luto assim qdo estou de TPM, aliás só quando me lembro tb que estou de TPM, rs

bjkitas
Mari

2 de março de 2010 21:22

Paulo Tamburro disse...

Tudo bem Renata?

Gostei realmente do que vi, por aqui.

Seu blog é excelente e eu não o conhecia.

Voltarei mais vezes para detalhadamente poder com calma , ver o que faltou.

Tenho blogs de humor e caso deseje fazer uma visita ficarei muito honrado.

Um abração carioca.

4 de março de 2010 20:34

Léo Santos disse...

Gostei do teu blog e do teu texto! Muito bom mesmo! Ainda mais em se tratando de uma conterrânea... Vai escrevendo que eu vou lendo!

Um abraço!

5 de março de 2010 18:51

tossan disse...

Lindo Renata...Lindo! Beijo e bom fim de semana.

6 de março de 2010 14:44

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